10 celebridades de Hollywood que também eram inventores

O coração artificial, a meia-calça e o Wi-Fi nasceram da cabeça de atores

Marcelo Testoni

Julie Newmar como a Mulher-Gato em 1966 | <i>Crédito: Wikimedia Commons
Julie Newmar como a Mulher-Gato em 1966 | Crédito: Wikimedia Commons

Quando um nome do show business busca uma nova atividade que não seja brilhar em frente às câmeras é porque sua carreira declinou ou ele se cansou da fama. Assim fizeram Natalie Portman, que após Cisne Negro decidiu estudar evolução da mente em Harvard , e o ator Sam Neill, de Jurassic Park, que obtém renda extra com a produção de uvas da Borgonha que ele introduziu na Nova Zelândia. 

Mas, tempos atrás, dividir a atenção entre filmes e projetos paralelos significava desafiar os regimentos de Hollywood. Hedy Lamarr, que protagonizou Sansão e Dalila (1949), por exemplo, se arriscou em querer que os EUA vencessem a Segunda Guerra. “Ela usou seu prestígio para promover um sistema de comunicação que inventou para as Forças Armadas”, revelou, em entrevista à AVENTURAS NA HISTÓRIA, Anthony John Loder, filho da atriz.

Quando se aposentou, Marlon Brando, de O Poderoso Chefão, se rendeu às aulas de música e à fabricação de instrumentos tribais. Por sorte, Lamarr e Brando tinham noção de propriedade intelectual e patentearam seus feitos. “Uma imagem vale mais que mil palavras, mas um protótipo vale milhões!”, palavras do inventor Trevor Baylis no livro 1001 Invenções que Mudaram o Mundo. Alguns ficaram famosos também pelas invenções. Outros, nem tanto.


1. Paul Winchell – Coração artificial (1963)

Durante uma festa, o dublador de Dick Vigarista, vilão da série animada Corrida Maluca (1968-1986), conheceu o cirurgião Henry Heimlich, de quem era fã, e sugeriu a ele a invenção de um coração mecânico para bombear sangue durante operações cardíacas tensas. Sob orientação do médico, Winchell bolou o protótipo, que depois de pronto e patenteado foi doado para a Universidade de Utah. Segundo o próprio astro, “as válvulas e câmaras não eram muito diferentes dos olhos móveis e da boca de uma marionete”.


2. Marlon Brando – Ajuste de tambor (2004)

Quando jovem, o galã de Um Bonde Chamado Desejo (1951) apoiou diversos movimentos em defesa dos indígenas norte-americanos, com os quais teve aulas de produção e batuque de bongôs. Mas, como a carreira de ator tomava muito o seu tempo, deixou de lado o passatempo e só foi retomá-lo nos anos 2000, quando se redescobriu como designer de tambores. Ele criou um tipo de haste automática (nunca fabricada) para ajustar, conforme a força das batidas, a membrana elástica que reveste o instrumento.


3. Florence Lawrence – Seta sinalizadora (1914)

Conhecida como a primeira estrela do cinema, atuou em mais de 300 filmes até a metade do século 20, entre eles No Tempo do Onça (1934) e Aconteceu Numa Tarde Chuvosa (1936). A atriz canadense radicada nos EUA herdou da mãe inventora a curiosidade por automobilismo e um grande talento para desenvolver peças de carros. Na década de 1910, ela criou um “braço sinalizador automático”, hoje conhecido por seta sinalizadora, e o sistema precursor das atuais luzes de freio.


4. Steven Spielberg – Jogo histórico em primeira pessoa  (1999)

Em 1999, um ano após O Resgate do Soldado Ryan, Spielberg criou o primeiro game de tiro em primeira pessoa passado na Segunda Guerra: Medal of Honor. Isto é, o primeiro a se levar a sério: Wolfenstein 3D, de 1992, tinha como chefe um mecha-Hitler com canhões giratórios. A seriedade colou e gerou todo um novo estilo de videogame.


5. Hedy Lamarr – Sistema-base do GPS e Wi-fi (1942)

A diva da primeira cena de orgasmo do cinema, no filme Êxtase (1933), é também a inventora da tecnologia-base da telefonia móvel e do sistema de posicionamento global, GPS. Quando criou o “salto de frequência”, sistema baseado nas várias ondas de som emitidas pelas teclas do piano, Lamarr imaginou aplicá-lo nos aviões e navios de guerra dos Estados Unidos, para despistar radares nazistas. Caro demais, o sistema acabou engavetado e só foi redescoberto na virada do milênio.


6. Bill Nye – Válvulas do Boeing 747 (1969)

Membro da Sagrada Tríade Trirracial da Ciência (com Michio Kaku e Neil Degrasse Tyson), ainda está para estrear no cinema, com seu Bill Nye - O Filme (este ano). Ele não é um cientista wannabe, mas a coisa real. Bill Nye é pesquisador da União Astronômica Internacional, responsável pela reclassificação do planeta Plutão para planetoide. Sua carreira começou nos anos 1960 como engenheiro mecânico da Boeing, onde atuou na fabricação de válvulas de ajuste de pressão do 747.


7. Harry Houdini – Roupa de mergulho (1921)

Sim, o mestre da fuga também atuou em Hollywood. Com toda sua preparação para escapar do perigo, foi como dublê e ator de filmes de suspense e ação, como O Mestre do Mistério (1919) e a Ilha do Terror (1920). É dele a patente da primeira roupa de lata e borracha usada por mergulhadores que se aventuram em resgates submarinos. Em 1995, um incêndio destruiu boa parte do acervo de protótipos do astro; só sobrou a armação metálica da roupa.


8. Zeppo Marx – Suporte da bomba atômica (1941)

O caçula dos irmãos Marx, comediantes de Os Quatro Batutas (1931), era também engenheiro mecânico e proprietário de uma fábrica de engrenagens e correias hidráulicas. Envolvido com a fabricação de bombardeiros da Segunda Guerra, partiu dele a ideia de acoplar no avião Enola Gay argolas de fixação e transporte da bomba atômica lançada em Hiroshima. Em 1948, o ator anunciou o lançamento de motocicletas com motor de alta eficiência e baixa potência.


9. Julie Newmar – Meia-calça (1970)

Por incrível que pareça a patente dessa peça sensual é da Mulher-Gato, quer dizer na série de TV Batman (1966-1968). Tudo começou quando a atriz, insatisfeita com seu figurino nada provocante, costurou meias de náilon pretas a uma calcinha da mesma cor e foi para o estúdio de gravação. Em poucas semanas, já se viam mulheres nas ruas com as práticas meias-calças “nudemar”, chamadas assim por delinearem a nudez de Newmar.


10. Walt Disney – Som Surround (1940)

O áudio limpo e distinto das salas de cinema é obra do pai do Mickey Mouse. Ele foi criado para acompanhar Fantasia (1940), projeto de desenho animado e música clássica que Disney produziu com o maestro Leopold Stokowski. Insatisfeito com a qualidade do som existente, o cineasta usou nove gravadores ópticos independentes, cada qual com seu próprio microfone, para gravar as partes da trilha sonora. Depois, reproduziu o som por alto-falantes instalados atrás e ao redor da sala.


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