10 gênios que morreram na miséria

Porque a vida nem sempre é justa

Redação AH

Autorretrato do sofrido Van Gogh | <i>Crédito: Vincent Van Gogh
Autorretrato do sofrido Van Gogh | Crédito: Vincent Van Gogh
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10. Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)
Um dos maiores gênios da História, Mozart já na infância mostrava a genialidade. Desde cedo viajava pela Europa para se apresentar. Autor de mais de 600 obras, foi um grande ícone popular. Ganhava muito dinheiro com seu talento, e gastava na mesma medida. Ele e sua família teriam sido forçados a se mudar de casa pelo menos 11 vezes, e com frequência o músico pedia dinheiro a amigos para conseguir pagar seus gastos. Acabou morrendo jovem, aos 35 anos, e sua viúva, Constanze, na época com dois filhos pequenos, quase não teve dinheiro para enterrá-lo.

9. Vital Brazil (1865-1950)
Médico, imunologista e fundador do Instituto Butantã, Vital Brazil ganhou reconhecimento mundial pelas suas pesquisas sobre soros contra picadas de animais peçonhentos, como cobras, escorpiões e aranhas. Dedicado a contribuir para o desenvolvimento da pesquisa no país, fundou institutos e centros de pesquisas - que nem sempre tinham condição de se sustentar. Ao falecer, não deixou grande patrimônio para a família - sua viúva e 18 filhos, de dois casamentos -, que passou por dificuldades para administrar seu legado. O Instituto Vital Brazil, por exemplo, foi vendido para o governo do Rio de Janeiro.

8. Aleijadinho (c.1738-1814)
O maior artista do período colonial brasileiro, Antônio Francisco Lisboa teve um final de vida pobre e dependente de outras pessoas. Aleijadinho era filho de português e escrava, supostamente alforriado por seu pai e senhor. Apesar das 400 obras de arte atribuídas a ele, não teria acumulado patrimônio, provavelmente por descuidos com dinheiro e por doações aos pobres. Seu corpo sofreu deformações devido a uma grave enfermidade, e para trabalhar amarrava os instrumentos nos braços. O artista passou seus últimos anos quase cego e com muitas limitações motoras, pouco saindo da cama.

7. Johannes Gutenberg (1400-1468)
Se você tem jornais, revistas e livros nas mãos, é graças a Gutenberg, criador da impressão com tipos móveis, a tipografia. A primeira impressão que saiu de seu invento foi uma edição de mais de mil páginas da Bíblia. Mas ele não conseguiu vender nem um exemplar. Depois de uma disputa judicial com seu financiador e sócio, Johann Fust, Gutenberg perde os direitos sobre a invenção e entra em falência, além de perder o crédito como criador da prensa. Pouco se sabe sobre o final de sua vida, mas acredita-se que tenha sido enterrado em uma igreja que foi destruída, e sua tumba teria assim desaparecido.

6. Franz Schubert (1797-1828)
O compositor austríaco é hoje enaltecido como um dos mais importantes músicos do final da era clássica e início da romântica. No entanto, não teve em vida tanta credibilidade. Apesar da intensa produção - mais de 600 músicas, 21 sonatas para piano e sete sinfonias completas, além de outras obras -, Schubert era celebrado apenas por um pequeno círculo de amigos. Com a falta de reconhecimento, veio a carência financeira, que ele supria com aulas ou com a venda de algumas obras. Além da falta de reconhecimento e dinheiro, teve a vida interrompida aos 31 anos, por febre tifoide. Foi enterrado ao lado de Beethoven, um de seus grandes ídolos.

5. Edgar Allan Poe (1809-1849)
A vida do escritor desde o início foi complicada. Quando tinha 1 ano, o pai abandonou a família e, no ano seguinte, a mãe faleceu; tinha uma relação conflituosa com o pai adotivo, e sua esposa morreu cedo. Não é à toa que os temas morte e perdas são recorrentes em sua literatura. Considerado o pai das modernas histórias de detetive, Edgar Allan Poe é famoso pelos contos de mistério e horror. Apesar de ter reconhecimento em vida, não era bem remunerado e gastou o que ganhou em um projeto falido de criar uma publicação literária. Como saída de um conto, sua morte é rodeada de mistérios. Foi encontrado delirando nas ruas de Baltimore e internado em um hospital, onde faleceu.

4. Oscar Wilde (1854-1900)
Apesar de celebrado como dramaturgo em seu tempo, é com um único romance que Oscar Wilde entra no patamar dos grandes escritores da língua inglesa. O Retrato de Dorian Gray é uma voraz crítica à hipocrisia da sociedade inglesa vitoriana. E foi exatamente essa hipocrisia que o levou à decadência. Após manter um relacionamento homossexual com um jovem nobre, Wilde é denunciado pelo pai do rapaz por atentado violento ao pudor. Os elevados custos do processo o levaram à falência, e o escritor amarga dois anos de cárcere. Depois de ser libertado, decide ir morar em Paris, cidade onde passa seus últimos dias. O escritor morre de meningite, sozinho e na pobreza.

3. Rembrandt (1606-1669)
Um dos mais importantes pintores de seu tempo e ícone da era de ouro da pintura holandesa, Rembrandt encarou tempos difíceis no final da sua vida. Endividado pela compra de uma casa e pelos altos gastos com obras de arte, o pintor fez um acordo judicial em 1656 onde declarava falência, evitando assim ser preso. Teve que vender peças artísticas, antiguidades e a própria casa. A penúria econômica foi acompanhada de dificuldades na vida pessoal. Apenas um dos quatro filhos de Rembrandt chegou à idade adulta, e ainda assim morreria antes dele, destino também de suas duas esposas. O pintor chegou a ter que vender a tumba da primeira esposa para saldar as dívidas.

2. Nikola Tesla (1856-1943)
Um dos mais brilhantes cientistas da História, viveu seus últimos anos no descrédito. A energia elétrica que viaja por redes de distribuição e chega às nossas tomadas só é possível pela sua concepção da corrente alternada. Ele também inventou o controle remoto e o radiotelescópio. Há quem diga que ele seja o criador do rádio e do radar, mas outros cientistas reivindicam a autoria. Recebeu grandes quantias pela patente da corrente alternada, mas desistiu da maioria delas em favor do amigo George Westinghouse. O patrimônio que havia acumulado, gastou com experimentos pouco exitosos. Morreu sozinho, morando num hotel. 

1. Vincent van Gogh (1853-1890)
O artista teve pouco reconhecimento em vida, considerava que tinha fracassado como pintor e acredita-se que tenha vendido apenas um quadro. Em seus últimos anos, deixou Paris em busca da tranquilidade do interior. No entanto, uma doença mental o levou a ser internado, mas continuou produzindo intensamente. Dois meses após deixar o hospital, Van Gogh sai para pintar no campo e volta ferido por bala. A versão mais aceita é a de uma tentativa de suicídio. Seu irmão Theo era seu suporte emocional e financeiro, até a morte. Hoje, ambos estão enterrados lado a lado na pequena cidade de Auvers-sur-Oise.

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