10 ideias à frente de seu tempo que não vingaram

Videofone, carros voadores, supersônicos de passageiros, a colonização do espaço e mais: o que deu errado?

Redação AH

Ônibus espacial durante uma missão | <i>Crédito: Shutterstock
Ônibus espacial durante uma missão | Crédito: Shutterstock

Houve o dia em que todo mundo acreditava que o futuro estava com estas invenções. Mas então a realidade aconteceu. E o sonho naufragou. 

Nem tudo está perdido, porém: três dessas ideias estão tendo uma segunda chance. Fãs de ficção científica, cruzem os dedos


10. Forno micro-ondas

Pode soar estranho começar a lista por um item que todo tem em casa, mas o fato é que o micro-ondas jamais cumpriu a missão para a qual foi criado: substituir o fogão. Foi com essa promessa que ele começou a ser vendido nos anos 1950, como "forno de radar". O poder do rádio substituiria o primitivo gás para sempre, algo em que certos livros de receita ainda parecem acreditar. A forma de cozimento, pela agitação das moléculas de água, é diferente demais do que acontece pelo método milenar. O micro-ondas serve para fazer pipoca, descongelar, esquentar comida velha ou preparar junk food. Mas ninguém abandonou o forno convencional por ele. 


9. Laserdisc

Espécie de CD gigante para armazenar vídeos, surgiu em 1978, apenas dois anos depois do primeiro aparelho de VHS, e quatro antes do próprio CD. Ainda que superior às fitas, era caro demais e não se popularizou. Os poucos que compravam o aparelho não tinham nada para ver nele.


8. Dirigíveis

Eles levavam cargas bem maiores comparados aos aviões, a uma fração do custo. A questão é que, nos anos 30, só os EUA eram fonte de gás hélio. Por isso, os alemães usaram o perigoso hidrogênio. O desastre do Hindenburg, em 1937, acabou com a confiança nos navios do céu. O gigantesco Airlander, com 92 metros de comprimento, promete trazê-los de volta, mas ainda não entrou em produção comercial.


7. Girobus

Invenção belga de 1953, o ônibus funciona por inércia, com uma pesadíssima roda de metal girando a velocidades imensas. É o mesmo princípio dos carrinhos à fricção, mas sua roda era posta para girar por indução magnética e transmitia o movimento ao veículo. Isso permitia dispensar fios e motores poluentes. Gastava muita energia e foi abandonado em três anos.


6. Videofone

A primeira linha foi instalada na Alemanha, em 1936. Em 1970, a AT&T lançou seu Picturephone, vendendo videofones para quem quisesse. A assinatura mensal custava uma fortuna e o invento não colou. Além do preço, ninguém queria se arrumar para atender o telefone e é esquisito falar com alguém num videofone, porque cada interlocutor não olha nos olhos do outro, mas para a tela. Por isso, mesmo hoje, quando todo mundo tem videofones de graça por webcams e celulares, a maioria das ligações é só com som.


5. Virtual Boy

A realidade virtual é antiga. A ideia surgiu em 1968, mas só começou a ser levada realmente a sério nos anos 1990. A Nintendo lançou seu Virtual Boy em 1995. Foi pior fracasso da história da empresa. Colocar telinhas nos olhos de alguém foi fácil. O difícil era acompanhar os movimentos da cabeça e sincronizar a informação. Para evitar danos aos olhos, o aparelho desligava sozinho após meia hora. Hoje realidade virtual é a palavra da vez, com o Oculus Rift e seus genéricos, mas ainda não está claro se ela veio para ficar ou é uma moda passageira.


4. Eletricidade sem fio (e de graça!)

Em 1901, Nikola Tesla tinha um sonho: o de que que todas as casas do mundo receberiam energia elétrica sem os fios e de graça. Ele pretendia eletrificar o planeta inteiro para isso. Chegou a acender lâmpadas a uma distância de 48 km. Mas as perdas consideráveis de energia para o ambiente e, principalmente, a perda do financiamento para seu laboratório deixaram o projeto nos sonhos. 


3. Concorde

Cruzar o Atlântico em três horas, num belíssimo avião supersônico. O futuro chegou em 1976, com o Concorde, mas era caro demais. Poucos se dispunham a pagar seis vezes mais para economizar algumas horas, num avião espartano, cujo interior parecia com o de um ônibus. Além disso, o ruído excessivo fez com que fosse proibido na maioria dos países, limitado a voar em rotas oceânicas. Ficou na saudade em 2003. 


2. Carro voador

A ideia de sair da garagem direto para os ares data de 1917, quando Glenn Curtis criou seu "autoplano". Até a Ford chegou a ter um projeto. E Santos Dummont via o avião assim, como um carro para levar todo mundo para o trabalho. Não é que seja difícil fazer um carro voador. Toda a época tem alguém propondo lançá-lo: um dos projetos mais promissores atuais atende pelo nome de Terrafugia. O problema são as leis: você precisa de um brevê de piloto para dirigir o carro aéreo, tem que pedir autorização do controle de tráfego aéreo para decolar, e só pode fazer isso de um aeroporto. É só um avião que você pode guardar na garagem.


1. Exploração espacial

Nos anos 70, todo mundo acreditava que, a esta altura, deveríamos estar no mínimo colonizando Marte. Fruto dessa era foi o Ônibus Espacial, que parecia apontar para o futuro, a primeira nave retornável, como as dos filmes. Mas acabou aposentado em 2011 por ser caro demais e impossível de atualizar, sem que qualquer outro veículo retornável tivesse sido criado (os russos tentaram o projeto Buran, quase idêntico, mas não saiu do solo). 

No final, nem mesmo a Lua foi revisitada. Isso porque a Corrida Espacial era basicamente um esforço de propaganda dos EUA e União Soviética. Quando os primeiros chegaram à Lua, acabou a corrida, eles venceram. As missões Apollo se estenderam por mais três anos, mas ninguém dava mais bola. Elas perdiam em audiência para as reprises do programa I Love Lucy, de 20 anos antes. 

A promessa hoje é a exploração comercial privada do espaço - o que, pensando bem, se parece muito mais com a ficção científica. Mas, quase 15 anos depois do primeiro voo privado ao espaço, o da SpaceShipOne, em 2003, ainda parece estar engatinhando. A era espacial, se vier mesmo, será com mais de meio século de atraso. 


Fotos: Wikimedia Commons, Moller, Nasa


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