A 'arma secreta de Hitler': O pior chocolate da História

Na Segunda Guerra, americanos ganharam como ração uma atrocidade culinária

Fábio Marton

Mais amargo que a guerra | <i>Crédito: Hershey/Shutterstock
Mais amargo que a guerra | Crédito: Hershey/Shutterstock

HISTÓRIA MALUCA  


Uma coisa que todo mundo sabe sobre chocolate é que tem calorias. Mais do que deveria ter, se o mundo fosse justo. Mas isso pode ser uma vantagem: com tanta caloria num espaço relativamente pequeno, o chocolate é ideal como ração de guerra.

Foi o que pensou o coronel Paul Logan em 1937. Ele encomendou então à Hershey que criasse um chocolate com as seguintes características: pesar 112 g, ter alta concentração de calorias, não derreter no calor e, importante, ter “um gosto só um pouquinho melhor que uma batata cozida”. 

A parte do calor é para que os soldados pudessem levá-lo nos bolsos, através de selvas tropicais desconhecidas. E o estranho pedido final é porque, no raciocínio de Logan, se a ração fosse tão boa quanto o chocolate comum todo mundo iria comer por prazer e não ter nada quando a situação se tornasse desesperadora. 

A indústria seguiu à risca as determinações e criou uma barra carregada com 600 calorias que só derretia aos 49 °C. Prático no calor, mas grande parte da experiência do chocolate é que sua temperatura de fusão é de 35 °C, o que faz com que derreta na boca. 

Não que alguém quisesse colocá-la na boca: com mais cacau e menos e açúcar que o normal, era amarga como purgante. E, para quem colocasse ainda assim, a “Ração D” ou “Barra de Logan” era tão dura que podia quebrar os dentes.

Quando a guerra chegou, os soldados perceberam que a Hershey havia ido muito além do “pouco melhor que batata cozida”. Nenhuma batata do mundo poderia ser acusada de tal atrocidade. A Ração D ganhou o apelido de “Arma Secreta de Hitler”. Não bastassem o seu sabor e textura, podia causar dor de barriga. 

Os cuidados de Logan acabaram por se mostrar contraproducentes. Os soldados trocavam as barras por comida de verdade, com desavisados civis ou do Exército britânico.

Após um pouco mais de um ano, o Exército dos EUA levantou a bandeira branca e pediu à Hershey para reformular a barra para algo menos desumano. O resultado foi a “Barra Tropical”, que vinha até numa embalagem decorada, como as comerciais. Tinha um pouquinho mais de açúcar, mas continuava a não agradar. Pelo menos a embalagem facilitava vendê-la aos inocentes. Em seu favor, os soldados descobriram que fazia bem para quem estava com diarreia (quem sabe por comer a Ração D). Ela entrou para a História como a “barra da disenteria”. 

As tropas tiveram de aturar a Barra Tropical até a Guerra do Vietnã. Nas rações de hoje vão barras de cereais, quase idênticas às comerciais. 


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