A era do remédio radioativo

Mania pseudocientífica do início do século 20 deixou sequelas ainda hoje sentidas

Redação AH

Tinha sorte quem comprava a falsificação | <i>Crédito: Pixabay
Tinha sorte quem comprava a falsificação | Crédito: Pixabay
HISTÓRIA MALUCA 

A radiação foi descoberta em 1895, por Wilhelm Röntgen. Já no ano seguinte, médicos começaram a fazer experimentos com raios X. Como ninguém ainda sabia dos perigos dessas ondas, charlatões passaram a produzir remédios usando a força misteriosa, prometendo energia, rejuvenescimento e - suprema ironia - a cura do câncer.

Ainda mais bizarro: falsificadores - charlatões do charlatanismo - diziam ter radiação no seus remédios, quando não havia. Preocupada com essas fraudes, em 1916 a Associação Médica Americana estabeleceu uma dose mínima de radiação para os chamados jarros revigorantes, que "potencializavam" a água. 

Hoje a gente sabe, quem foi enganado e não recebeu radiação se saiu melhor que quem comprou o produto legítimo. Radiação bagunça o DNA das células e causa mutações ou simplesmente as mata, com efeitos catastróficos.

Em 1932, o industrial Eben Byers morreu de tumores múltiplos, que o desfiguraram, após tomar 1 400 garrafas de uma tal emulsão Radithor, recomendada por seu médico. O Wall Street Journal noticiou assim sua morte: "A água de rádio funcionou bem até sua mandíbula cair". 

Byers foi a vítima mais extrema da loucura. Não se sabe quantos milhares ou milhões podem ter morrido de forma mais discreta. O escândalo acabou com a era do remédio radioativo, mas há lugares pagando o preço até hoje. Na França, a Agência Nacional de Gestão de Dejetos Radioativos identificou 130 pontos contaminados por remédios ou cosméticos do início do século, 20 deles em Paris, causados principalmente pelos cosméticos da linha Tho-Radia.


VEJA MAIS:

Conecte-se

Revista Aventuras na História