Coelhos puseram Napoleão para correr

Em 1807, o general encontrou um inimigo à altura

Fábio Marton

Coelhos: provavelmente, um pesadelo recorrente após 1807 | <i>Crédito: Shutterstock/Fábio Marton
Coelhos: provavelmente, um pesadelo recorrente após 1807 | Crédito: Shutterstock/Fábio Marton
HISTÓRIA MALUCA 

Naquele mês de julho de 1807 o imperador estava em um ótimo humor. Havia acabado de assinar os Acordos de Tilsit com a Prússia, consolidando suas vitórias e dando início a um período de (precária) paz no continente. 

Para celebrar, ele propôs um de seus passatempos favoritos: uma caçada a coelhos. Coube a um de seus maiores generais, Louis-Alexandre Berthier, organizar o evento. 

Uma propriedade nos arredores de Paris parecia perfeita para uma tarde de disparos contra bichos fofinhos. Exceto por um detalhe: não tinha coelhos. Berthier não se fez de rogado e adquiriu no mercado uma quantidade exorbitante deles, de forma que, não importa para onde olhasse, Napoleão teria um felpudo para exterminar. Até 3 mil, de acordo com alguns relatos.

Os coelhos foram soltos na propriedade, mas demonstraram mais disciplina militar que o esperado. No lugar de se dispersarem, como civis desesperados, foram se aglomerando num bloco coeso, como guerreiros espartanos. Assim que o imperador desceu de seu coche, foi cercado por essa tropa, que passou a atacá-lo, tentando subir em suas pernas. 

De nada adiantaram as manobras de esquiva, esperneio e até ataques com paus e chicotes. Os coelhos não arredavam de Napoleão. Cercado por todos os lados e em séria desvantagem numérica, o general tomou a decisão estratégica mais sensata e bateu em retirada – mas uma retirada em ataque, atirando xingamentos, chutes e coelhos pelo caminho e da janela do coche.

O erro de Berthier foi comprar coelhos domésticos e não selvagens, como os usados em caçadas. Eles acharam que Napoleão era um de seus tratadores – e que, quem  sabe, sua famosa mão na barriga escondia um irresistível maço de cenouras. 

A história seria repetida às gargalhadas pelos oficiais franceses até a derrota do imperador para um exército bem menos meigo em Waterloo, 8 anos depois. Napoleão não achou graça nenhuma e amaldiçoou até o fim da vida seu general pela humilhante derrota.


Saiba mais
Blundering to Glory: Napoleon's Military Campaigns, Owen Connely (trecho sobre o incidente)


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