Como fazíamos sem... Plástico?

Insetos serviam para fazer disco e cabos submarinos eram protegidos com fibra de maconha

Redação AH

Bonança para a humanidade, pesadelo para o meio-ambiente | <i>Crédito: Shutterstock
Bonança para a humanidade, pesadelo para o meio-ambiente | Crédito: Shutterstock
COMO FAZÍAMOS SEM 

Antes da invenção dos polímeros sintéticos, os objetos eram feitos de madeira, metais, vidro, papel, marfim, resina, cerâmica, borracha, enfim, de tudo menos plástico.

Dentaduras usavam marfim. Discos de gramofone saíam em goma-laca, tirada de um inseto indiano - 50 mil morriam para gerar cada exemplar. Os primeiros fios elétricos podiam ser isolados com papel, algo desastroso em caso de curtos-circuitos. O cabo telegráfico transatlântico, inaugurado em 1858, era protegido por fibra de cânhamo (maconha) embebida em óleo e cercada por borracha. As correias de máquina eram feitas de couro. 

A lista poderia prosseguir indefinidamente, pois o plástico nasceu como versão econômica de materiais nobres - daí a fama de cafona, que dura até hoje. O primeiro de todos, a ebonita, era um derivado da borracha criado em 1839 por Charles Goodyear (o mesmo do processo de vulcanização que gerou o pneu). Substituía o ébano em bolas de boliche, bocais de clarinetes e de cachimbos. 

A produção em massa só começou nos anos 30, quando foram criadas variedades que estão por aí ainda hoje, como o nylon, o vinil e o poliestireno. Desde então, a humanidade se tornou dependente química do produto. "Não existe outra classe de material que possa substituí-lo em muitas aplicações", afirma a engenheira Leila Figueiredo de Miranda, da Universidade Mackenzie.

Ainda que não dê para imaginar produtos modernos sem plástico, a real revolução foi a cultura do descartável, nascida nos anos 50. Fraldas, vasilhames, barbeadores, isqueiros, canetas, até canudos... tudo isso era caro e feito para durar. Pense no leite em garrafa de vidro deixado todo o dia na casa das pessoas - não é invenção dos desenhos animados, era assim mesmo. 

A mudança tem um impacto negativo no meio ambiente. Dependendo de qual plástico, pode levar séculos até ele ser absorvido pelo meio-ambiente e animais como tartarugas marinhas confundem plásticos com comida, com efeitos desastrosos. Mas, do lado humano, não dá para negar os benefícios. Plásticos salvaram e ainda salvam muitas vidas: ninguém quer voltar para o tempo das seringas e agulhas reutilizáveis, compartilhadas entre os pacientes. Embalagens plásticas impedem a entrada do ar, tornando seguros alimentos e implementos médicos. Próteses, válvulas cardíacas, corações artificiais e aparelhos de hemodiálise, tudo isso é feito de plástico. Mesmo que se consiga abolir o saquinho do supermercado, a medicina vai continuar a usar o material por muito tempo.



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