Como Ghost in the Shell (o anime) previu o futuro

...e no que errou

Redação AH

A policial ciborgue Motoko Kusanagi no pôster da série | <i>Crédito: Reprodução
A policial ciborgue Motoko Kusanagi no pôster da série | Crédito: Reprodução
ARQUEOLOGIA DO FUTURO 

Para quem não sabe, ou tem um amigo que sabe - e, neste caso, já deve ter sido informado 379 vezes - o Ghost in the Shell que estreia hoje é um re-make hollywoodiano de uma série de mangás e animes. Iniciada em 1989 por Masamune Shirow, não pode ser definida por nada menos que visionária. Vamos falar do longa de 1995, a base do atual. 

Ghost in the Shell quer dizer, literalmente, “o fantasma na casca” – uma melhor tradução seria “na carcaça”. O título se refere à ideia, presente em toda a série, de que pessoas têm um espírito (o fantasma), e mesmo se 99% de seu corpo e cérebro (a carcaça) forem substituídos por máquinas, continuam a ser pessoas. A protagonista, a agente de crimes cibernéticos Motoko Kusanagi, teve seu corpo quase inteiro substituído por tecnologia, mas ainda é considerada humana.

A história se passa em 2030 e, pelo andar da carruagem, dá pra dizer que não vai ser tão cedo que teremos uma singularidade tecnológica como na ficção. Isto é, o conceito de humanidade, a diferença entre gente e máquina, começar a deixar de fazer sentido, com as pessoas se agarrando com as últimas forças num conceito místico como espírito para tentar mantê-la. 

Como quase toda ficção científica, uma bola que Ghost in the Shell não cantou foi o celular, um aparelho que faz tudo o que os implantes cerebrais do gênero cyberpunk prometiam, sem precisar se arriscar com uma cirurgia não coberta pelo convênio. Internet, como era comum nas previsões dos anos 80, é pura realidade virtual – mas essa finalmente parece estar deslanchando. E, sendo uma série japonesa, não poderiam deixar de faltar os mechas, os robôs com pernas. O que foi na trave: empresas como a Boston Dynamics vêm criados robôs com pernas desde a década passada. O mais projeto mais próximo dos mechas japoneses foi o Big Dog, robô de carga militar desenvolvido na década passada, que funcionava perfeitamente, mas acabou vetado pelo Pentágono por ser muito barulhento. 

Agora, em acertos, temos várias coisas que ainda são protótipos, mas que até 2030 quem sabe já estejam por aí. Os membros de Kusanagi não são movidos por motores elétricos, mas músculos artificiais – uma das mais promissoras tecnologias emergentes. A equipe de Kusanagi é capaz de se tornar invisível, o que também está sendo desenvolvido por várias frentes – no Japão, inclusive

Ciborgues já são reais, inclusive com a capacidade de próteses transmitirem sensações aos nervos – ainda que, por hora, não é coisa que dá pra comprar na loja de material ortopédico da esquina e nada indica que a maioria das pessoas irá decidir tirar o próprio braço para colocar uma prótese no lugar. 

Inteligências artificiais capazes de serem confundidas com humanos - o ponto mais central do filme de 1995 e do re-make - já estão à porta: em 2015, um robô de chat (isto é, só um programa) passou no Teste de Turing, fazendo as pessoas confundi-lo com uma pessoa - ainda que muitos tenham acusado de ser um truque; mas Eugene Goostman cumpriu o requisito de tapear 33% dos juízes. 

Por fim, androides, robôs humanoides, ainda estão lá no fundo do vale da esquisitice. Mas, a depender do Japão, definitivamente você vai encontrá-los naquela loja de eletrônicos que não aceita cartão até 2030. 



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