Dito & Feito: Moreno

Quem era 'moreno' podia ser perseguido pela Inquisição

Redação AH

O mouro Otelo e a princesa Desdêmona, do clássico de William Shakespeare | <i>Crédito: Théodore Casserieau
O mouro Otelo e a princesa Desdêmona, do clássico de William Shakespeare | Crédito: Théodore Casserieau

Moreno vem de mouro - nome que os espanhóis e outros europeus davam aos habitantes de todo o norte da África, excluindo o Egito. Reinos islâmicos desses povos dominaram a Península Ibérica entre os séculos 8 e 15, de forma que mouros eram uma visão bastante comum em Portugal e na Espanha medievais. 

Os habitantes da região eram de ao menos três perfis étnicos: berberes, árabes e negros, ou qualquer mistura entre eles. O nome mouro, por sua vez, vem de Mauritânia, que era como os antigos romanos e gregos chamavam a região que estava entre a Argélia e o Marrocos, por causa de uma extinta tribo berbere chamada Mauri. Daí deriva também o nome do país atual, que fica ao sul do lugar que os romanos chamavam Mauritânia - e também o nome Mauro, para quem nascia na região. 

A elite cristã de Portugal e da Espanha, que reconquistou a Península Ibérica entre os séculos 9 e 15, descendia dos visigodos, um povo germânico que se estabeleceu na região na época das invasões bárbaras do Império Romano. Assim, uma aparência mais escura, de pele ou cabelo, era relacionada aos mouros.

 As pessoas com essas características foram chamadas de "morenos", cujo sentido era bastante pejorativo em sua origem. Nos séculos 15 e 16, ser considerado descendente de mouros (ou de judeus, que também tinham a pele mais escura) fechava quase todas as possibilidades de ascensão social em Portugal e na Espanha - e podia significar até ser perseguido pela Inquisição.


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