Em 1956, um cinquentão estreava a saia masculina no Brasil

Flávio de Carvalho apresentou seu modelito futurista a uma São Paulo atônita

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Flavio de carvalho desfilando com o 'New Look' | <i>Crédito: Reprodução
Flavio de carvalho desfilando com o 'New Look' | Crédito: Reprodução

ARQUEOLOGIA DO FUTURO 


O simpático senhor na imagem aí de cima é engenheiro de formação. Estudou na Inglaterra e tudo, mas quando voltou ao Brasil e se radicou em São Paulo, já havia se transformado em artista plástico, cenógrafo, decorador, escritor, arquiteto e estilista - ainda que a palavra não constasse em dicionários de português no Brasil dos anos 50.

Pois Flávio de Carvalho, todo prosa, vestiu-se com o que imaginava ser a roupa do futuro. Chamou o troço de New Look e foi para a rua cumprir o que batizou de Experiência nº 3. Era 18 de outubro de 1956. Ele escrevia uma coluna sobre arquitetura no Diário de São Paulo (sem relação com o jornal atual). Seu editor pediu que desenhasse uma roupa para homem - e ele resolveu desfilar seu modelito pelo centro da cidade.

O 'New Look' / Foto: escritoriodearte.com

O engenheiro acreditava que o maior flagelo do brasileiro era o calor. Então criou uma saia de náilon e uma camisa bufante. As meias eram do modelo arrastão e ele calçava sandálias de couro. Na cabeça, um chapéu, que não aparece na foto. Mas a roupa caberia melhor em outro cenário. Carvalho imaginava para o futuro o que chamou de A Cidade do Homem Nu. Uma metrópole futurista onde não havia lugar para Deus, propriedade privada e casamento. "A Cidade do Homem Nu busca a ressurreição do primitivo, livre de tabus ocidentais. O selvagem com todos os seus desejos, toda a sua curiosidade intacta e não reprimida como era pela conquista colonial. Em busca de uma civilização nua!", escreveu. Imaginou sua cidade formada por círculos concêntricos: um para ensino, outro de criação, um laboratório erótico (para liberar a libido, sem repressão) e um enorme centro de pesquisa sobre as "maravilhas do universo e o prazer da vida".     


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