Hwacha: A fúria dos céus

30 mil samurais foram trucidados pela brutal chuva de foguetes coreanos

Fábio Marton

Hwachas atirando no filme A Arma Divina (2008) | <i>Crédito: Reprodução
Hwachas atirando no filme A Arma Divina (2008) | Crédito: Reprodução
RETROTECH 

Durante a Era das Navegações, os europeus evitavam conflito com as potências do leste da Ásia. A China e o Japão eram organizados demais para serem desafiados. Mas, em uma ocasião, uma guerra pôs frente a frente as formas de lutar do Ocidente e do Oriente. Foi durante as invasões japonesas à Coreia, entre 1592 e 1598, no qual arcabuzes e canhões ao estilo europeu foram derrotados por foguetes, tecnologia chinesa do século 10. 

A arma secreta dos coreanos era algo que ninguém no mundo havia concebido, e nem voltaria a criar até o século 20. A hwacha ("carroça de fogo") era uma bateria capaz de lançar 200 foguetes simultaneamente. Os projéteis podiam ser pequenos, sem carga explosiva, que atuavam como flechas propulsionadas por pólvora, numa velocidade muito maior que o comum, que penetravam armaduras. Ou grandes, com um pavio que queimava durante o trajeto e explodia a carga pouco depois de atingir o alvo, capaz de fazer crateras de 30 cm no solo. 


Hwachas a caminho em ilustração coreana / Reprodução

Os japoneses começaram a invasão com uma série de vitórias acachapantes. Em 1592, 700 navios despejaram 158 mil soldados nas praias de Busan, a maioria, samurais veteranos da guerra civil que havia durado quase 100 anos. Os coreanos praticamente não tinham exército. Em menos de um ano, Seul e Pyongyang, as duas cidades mais importantes, estavam sob domínio japonês.

Assim, era apenas para liquidar a fatura que, em 12 de fevereiro de 1593, 30 mil japoneses se aproximaram da fortaleza de Haengju. A defesa coreana tinha menos de 2 300 soldados - e o general Ukita Hideie mandou todo mundo avançar e escalar os muros. O que ele não sabia é que, entre aqueles poucos coreanos, havia 40 hwachas. Os japoneses, agrupados ombro a ombro, receberam uma chuva de milhares de projéteis explosivos. Ao final do dia, após nove tentativas de avanço, os japoneses queimaram os milhares de corpos mutilados de seus companheiros e deram meia-volta. 

A vitória em Haengju foi o ponto de virada da guerra. Os coreanos mostraram que, com engenhosidade, eram capazes de resistir à brutalidade profissional dos samurais. Barragens de foguetes só surgiriam novamente na Segunda Guerra, com a criação do nebelwerfer alemão e o katyusha russo.


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