Picturephone: O futuro que não veio

O videofone foi lançado em 1964 - e foi um fracasso

Redação AH

Anúncio nos anos 1960 | <i>Crédito: Bell Labs/Reprodução
Anúncio nos anos 1960 | Crédito: Bell Labs/Reprodução
RETROTECH  

Para a ficção científica, nunca houve dúvidas: no futuro (isto é, hoje), todos os telefones seriam substituídos por videofones. Dos filmes mudos Metropolis e Tempos Modernos, a 2001 e os Jetsons, seria inconcebível falar no futuro sem ver a cara do interlocutor. 

Nunca foi por falta de tecnologia. No mesmo ano do lançamento de Metropolis, 1927, a primeira transmissão de vídeo com voz foi efetuada pelo Ikonophone da AT&T. Era uma mensagem do secretário de comércio Herbert Hoover, saída de Washington para Nova York. 

O caso é que transmitir não quer dizer transmitir bem. Seria generoso chamar de “vídeo” os borrões móveis assistidos em 1927 e em outras tentativas que vieram depois. A sonhada qualidade de televisão só seria alcançada na década de 1960. 

Foi quando o videofone foi lançado comercialmente. A mesma AT&T apresentou seu Picturephone em 1964, na Exposição Mundial de Nova York. Era capaz de transmitir imagens a 30 quadros por segundo, mais que suficiente para satisfazer os sonhos da ficção científica. No mesmo ano, começaram as atividades comerciais, com a empresa abrindo videofones públicos para quem quisesse usar. 

Só tinha um probleminha: uma ligação de três minutos custava 16 dólares, equivalentes a 124 dólares atuais. Para quem quisesse ter um em casa, a assinatura mensal era de U$ 160, ou U$ 1.240 hoje em dia. 

A esperança da AT&T era que a adoção inicial nas empresas disseminaria o serviço para o público em geral, e o sucesso em escala permitira cortar os preços. Acreditavam que, em 2000, haveria 14 milhões deles. Não colou: em 1978, o serviço seria abandonado por falta de interesse, com zero clientes. Em seu auge, não havia mais de 500 instalados nos EUA. 

A razão do fracasso do Picturephone talvez não tenha sido o preço. Afinal, todo mundo tem videofone hoje, através do Skype, Facebook, Facetime e outros. Mas quando foi a última vez em que você usou? 

O videofone em si se mostrou uma ideia impopular – ainda que seja muito útil para algumas pessoas, como surdos ou quem tem parentes ou romances à distância. Existem muitas teorias do porquê desse fracasso. Algumas são básicas, como o fato de ninguém querer se arrumar para atender o telefone. Outras falam da psique humana: o videofone gera uma sensação de esquisitice, porque não dá para falar olhando nos olhos. Você precisa escolher entre olhar para a câmera ou para a tela. 



VEJA MAIS:

Conecte-se

Revista Aventuras na História