1939: A última execução pública do Ocidente

Em 1939, a morte de Eugen Weidmann acabou com uma era

Fabio Marton

A equipe revisando o instrumento | <i>Crédito: AFP Images
A equipe revisando o instrumento | Crédito: AFP Images

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Ele definitivamente não era um injustiçado: numa carreira que começou com pequenos golpes e evoluiu para sequestro e latrocínio, Eugen Weidmann havia deixado cinco mortos, todos assassinados friamente por dinheiro. O método também não era exatamente cruel: a guilhotina pode ser tétrica de assistir, porém o consenso entre os médicos era que a morte se dava de forma instantânea e indolor. 

+ A história da guilhotina

Mas havia a multidão. A prisão – à qual ele reagiu e feriu um policial – e o julgamento de Weidmann e sua gangue haviam causado furor nos jornais parisienses. Assim, quando um grupo se juntou na Rua Georges Clémenceau, em Versalhes, seu espírito não era de reflexão sombria sobre a força da lei. Eles assoviavam, cantavam e provocavam o condenado. Quando a cabeça rolou, alguns se aproximaram com lenços para molhar com o sangue, e levar como suvenir. Fato curioso: detrás da janela de um apartamento próximo, aos 17 anos, o saudoso ator britânico Christopher Lee (famoso como Drácula e Saruman) presenciava a execução. 

O presidente Albert Lebrun considerou o espetáculo deprimente: a ideia de uma execução pública era inspirar medo e respeito à lei na população, não ser um espetáculo macabro. Convencido de que não era definitivamente o caso, revogou as execuções públicas. O Reino Unido já havia feito isso em 1868 e, na Alemanha, desde antes da unificação em 1871, Estado a Estado. Pois é, a Alemanha nazista, que também usava a guilhotina como método oficial de execução, não o fazia diante do público.

Dentro dos muros, condenados continuariam a ser guilhotinados na França até 1977, com a execução do estuprador e assassino Hamida Djandoubi. A pena de morte seria abolida em 1981.


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