A fundação dos Estados Unidos

Americanos acreditam que já eram livres desde os tempos da colônia

Fábio Marton

A águia da cabeça branca é o animal nacional dos EUA. Não porque seja um bicho livre, mas porque os Pais Fundadores queriam fazer uma menção a Roma Antiga. | <i>Crédito: Redação AH
A águia da cabeça branca é o animal nacional dos EUA. Não porque seja um bicho livre, mas porque os Pais Fundadores queriam fazer uma menção a Roma Antiga. | Crédito: Redação AH

A mais americana de todas as palavras: freedom. Liberdade. No mito fundador, os Estados Unidos já eram livres desde a colônia. 

A história não começa com a descoberta do país – essa veio pelos espanhóis, que chegaram à Flórida em 1513. Os britânicos só chegariam em 1585, fundando a colônia de Roanorke, que desapareceria misteriosamente. A segunda tentativa seria Jamestown, fundada em 1607. Essa seria importante até perder o status de capital, em 1699. 

Treze anos depois de Jamestown, um navio destinado à Virginia desviou-se de rumo e foi parar milhares de quilômetros ao norte, no atual estado de Massachusetts. Era o Mayflower e, dentro dele, vinham os peregrinos, PURITANOS separatistas refugiados da perseguição religiosa na Inglaterra. Eles iniciaram outro polo de colonização em Plymouth. Os peregrinos viveriam em uma protodemocracia, governando-se a si mesmos de forma igualitária. 

O abismo entre norte e sul dos EUA começa já por onde estaria o berço da nação. “Os peregrinos são ignorados no sul, que se focam em Jamestown. Os nortistas ignoram as colônias sulistas”, afirma a historiadora Jane Dailey, da Universidade de Chicago.  

Do ponto de vista da Inglaterra, se gente inconveniente quisesse se mandar para o outro lado do mar, tanto melhor. Bem diferente de nós aqui, as colônias americanas foram basicamente deixadas ao léu até a década de 1760. A isso, os historiadores americanos chamam de “negligência salutar”. Nesse século e meio, eles haviam desenvolvido uma economia altamente independente, que pouco importava ou exportava. E mal pagava impostos.

Mas então a Inglaterra havia saído da Guerra dos Sete Anos, contra a França. Essa incluiu batalhas na América, na qual estreou o próprio George Washington. Os cofres estavam vazios. E a coroa finalmente decidiu que precisava ter lucro com as colônias. 

A reação foi de revolta. Surgiu o slogan “sem taxação, sem representação”. Ou as colônias ganhariam o direito de eleger representantes para o Parlamento, ou nenhum imposto seria pago. O descontentamento evoluiria para a conspiração e, daí, a rebelião aberta. 

Em 12 de dezembro de 1773, conspiradores liderados por PAUL REVERE 
e Samuel Adams, os “Filhos da Liberdade”, se disfarçariam de índios, subiriam em três navios da Companhia das Índias Orientais e jogariam 342 caixas de sua preciosa carga de chá no mar. 

A FESTA DO CHÁ de Boston era um protesto contra algo aparentemente modesto: um subsídio dado pelo governo britânico à Companhia, que prejudicava os importadores de chá locais. Mas daria início à cadeia de eventos que terminaria com a Revolução Americana. 

Sob alerta, a coroa impôs várias medidas restritivas, que os colonos chamaram de Atos Intoleráveis. O porto de Boston foi fechado até ser paga a indenização pelo chá. Todo o governo de Massachusetts foi substituído por protegidos da coroa. Outros atos facilitavam a ocupação militar na América. Diante disso, em maio de 1774, reuniu-se o Primeiro Congresso Continental. Cinquenta e seis representantes das 13 colônias fizeram uma petição ao rei George III para abolir as medidas restritivas. O rei não apenas ignorou os colonos como mandou mais tropas. Eles reagiram se armando. Em 19 de abril de 1775, uma força britânica tenta confiscar os canhões dos colonos em Middlesex, Massachusetts. Eles reagiram com violência, e a Batalha de Lexington e Concord que se seguiu marca o início da Revolução Americana. 

Em plena guerra, um Segundo Congresso Continental foi formado em 10 de maio de 1775. Sob a presidência de Samuel Huttington, o congresso reuniria os Pais Fundadores do país, como Thomas Jefferson e Benjamin Franklin. Decidiria por criar sua própria moeda e seu próprio EXÉRCITO – liderado por George Washington, o veterano do Exército britânico. E, por fim, em 4 de julho de 1776, votaria pela independência, cuja declaração começa por algumas das mais belas palavras revolucionárias já escritas: Temos por verdades autoevidentes que todos os homens são criados iguais, e que eles são dotados pelo Criador com certos direitos inalienáveis. Direitos entre esses são a vida, liberdade e a busca pela felicidade. 

Com uma mão da França, que se aliou a eles contra o velho rival, os Estados Unidos da América se tornariam a primeira colônia no continente a ganhar formalmente independência, em 3 de setembro de 1783, com o Tratado de Paris. 



Este é um trecho da matéria de capa da Aventuras na História ed. 163 - Estados Unidos da América, nas bancas em todo o Brasil. Para assinar, clique aqui


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