A piscina do ódio

Racista usou ácido para expulsar militantes negros

Fabio Marton

Jimmy Brock jogando ácido nos manifestantes negros | <i>Crédito: Horace Cort
Jimmy Brock jogando ácido nos manifestantes negros | Crédito: Horace Cort
FOTO-HISTÓRIA 

O homem de óculos escuros chamava-se Jimmy Brock e o que está nas mãos dele é um galão de ácido clorídrico. O que ele está fazendo é exatamente o que parece: envenenando uma piscina cheia de gente. 

Era 8 de junho de 1964 e Martin Luther King Jr. acabava de ser expulso de um restaurante somente para brancos no mesmo estabelecimento, o Monson Motor Lodge, um motel - o que, nos Estados Unidos, quer dizer apenas um hotel barato e com estacionamento, para abrigar pessoas em meio a uma viagem. Brock era o proprietário e gerente do motel. 

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A invasão do restaurante era  parte dos protestos pelos direitos civis na cidade de Saint Augustine, na Flórida. A tomada da piscina foi um protesto dentro do protesto – após a expulsão do líder do restaurante, os manifestantes negros entraram numa piscina igualmente segregada, acompanhados por simpatizantes brancos. Não havia real perigo de alguém ser queimado por ácido. A concentração de um galão numa piscina é praticamente irrelevante. Os manifestantes sabiam disso, e não arredaram o pé. 

Nesse gesto não apenas odioso, como fútil, Brock entraria para a história como um dos vilões na luta dos direitos civis. Ele morreria em 2007, quatro anos após vender o motel, que foi demolido para a construção de um hotel da rede Hilton.


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