As cores do Império Russo

Com método próprio, Sergey Prokudin-Gorsky retratou seu país há mais de 110 anos

Fábio Marton

Judeus uzbeques, rabino e crianças | <i>Crédito: Sergey Prokudin-Gorsky
Judeus uzbeques, rabino e crianças | Crédito: Sergey Prokudin-Gorsky
FOTO-HISTÓRIA 


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Quem está na foto se perdeu para a História – talvez engolido por ela. São crianças judias junto a um professor em Samarcanda, Uzbequistão, cerca de uma década antes de seu mundo, tão arcaico e tradicional, ser demolido pela Revolução. Atrás da câmera está  Sergey Mikhaylovich Prokudin-
Gorsky, um dos grandes pioneiros da fotografia colorida. 

A imagem é uma legítima captura de cores, não uma foto colorizada manualmente ou por computador. Gorsky havia estudado a técnica de fotografia colorida com o alemão Adolf Miethe. Consistia em tirar três negativos, cada um com um filtro colorido sobre a lente: azul, verde e vermelho. Depois, imprimi-los sequencialmente, agora com em magenta, ciano e amarelo, reconstruindo as cores originais. 


O escritor Leo Tolstoi fotografado em 1908

O problema com esse método é que era preciso bater a foto três vezes: no tempo entre elas, qualquer movimento borraria tudo. Gorsky inventou uma técnica baseada em repartir a luz com prismas, de forma que só uma captura simultânea fosse necessária. 

Ele construiu a própria câmera e, patrocinado pelo czar Nicolau II, que o proveu com um vagão escuro para revelação, percorreu o Império Russo sobre trilhos, tirando mais de 3 mil fotos perfeitas de camponeses, paisagens e personagens como Tolstói  e o Emir de Bukhara, governante islâmico absoluto de parte do Uzbequistão, que seria derrubado pelas tropas do Exército Vermelho. 



A foto do Emir de Bukhara e seus negativos, demonstrando o método

Apesar da perfeição das imagens, o método de Gorsky não faria sucesso. O primeiro método prático de fotografia colorida a se universalizar seria o Autochrome Lumière, de 1903, substituído na década de 1930 pelo Kodachrome. Quanto a Gorsky, fugiria da revolução bolchevique rumo à França e teria uma discreta carreira como dono de um estúdio fotográfico. Morreria em 1944, a tempo de ver a capital francesa recapturada das forças nazistas.


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