Momentos finais de Lenin

Abatido por três derrames, mais morto que vivo, ele viu sua revolução ser sequestrada por Stalin

Fabio Marton

Ele morreu em grande desgosto | <i>Crédito: Domínio Público
Ele morreu em grande desgosto | Crédito: Domínio Público
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A última foto do líder da Revolução Bolchevique mostra um homem destruído. No final de 1923, atingido por três derrames, mudo e paralisado, Lenin manda um olhar quase sobrenatural, quase do além-túmulo para a câmera, ao lado de sua irmã Anna Ilyinichna Yelizarova-Ulyanova e seu médico, M. Kozhevnikov. Tirada no final de 1923, não é difícil duvidar que ainda estivesse vivo. 

Vladimir Ilyich Ulyanov foi o homem que provou que Karl Marx estava errado. O fundador do socialismo científico acreditava que a revolução viria por si só, das massas de proletários descontentes no capitalismo avançado. Lenin mandou às favas essa parte da teoria e tratou de criar a sociedade marxista através de um partido que liderou as massas, num país semifeudal, que era tudo menos “capitalista avançado”. 

Se o líder revolucionário teria o mesmo sucesso como líder de paz - ou se causaria tanta destruição quanto Stalin -, o mundo nunca irá saber. Em maio de 1922, ele sofreu o primeiro derrame. A União Soviética nem existia ainda – as repúblicas socialistas só seriam unificadas em dezembro do mesmo ano. Stalin se tornaria o líder absoluto. 

Lenin não estava feliz com isso. Ele passou seus últimos dias tentando evitar a consolidação do poder pelo rival. Sua carta-testamento, escrita no início de 1923, afirma que Stalin deveria ser deposto, com Trotski tomando seu lugar. Mas já era tarde demais: com o poder já sob suas mãos, Stalin trataria de evitar que seu conteúdo fosse conhecido pelo público em geral. Trotski seria exilado e, mais tarde, assassinado.


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