Teddy Roosevelt na Amazônia

No ecossistema errado, o Velho Alce quase perdeu sua vida

Fábio Marton

A expedição foi entre 9 de dezembro de 1913 a 27 de abril de 1914 | <i>Crédito: Kermit Roosevelt / U.S. Library of Congress
A expedição foi entre 9 de dezembro de 1913 a 27 de abril de 1914 | Crédito: Kermit Roosevelt / U.S. Library of Congress
FOTO-HISTÓRIA 

Em 1912, o duas vezes presidente americano Theodore Roosevelt falhou em conseguir a nomeação por seu partido para mais uma eleição. Frustrado, o legendário amante da natureza, cujo apelido era Bull Moose – o alce macho –, decidiu embarcar numa nova aventura. Chegando ao Brasil, afirmou que queria fazer um passeio pelo Rio Amazonas. Recebeu então do diplomata Lauro Müller uma sugestão muito mais ousada: embarcar na expedição do Marechal Cândido Rondon e mapear o, como o nome sugere, misterioso Rio da Dúvida. 

Roosevelt não resistiu ao desafio. O curso do rio, então totalmente inexplorado, começa em Rondônia e termina no Mato Grosso. Eram então partes do mesmo estado, simplesmente Mato Grosso. O nome vinha da hipótese de que ele seria uma ligação entre as bacias Amazônica e do Prata. Rondon queria ver se era fato. 


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A expedição foi um desastre. Logo no começo, a equipe teve de se dividir, metade desistindo, porque não havia comida para todos. Quem prosseguiu passou fome, teve que carregar barcos nas costas, descendo cachoeiras, e foi acometido por malária. Percorrendo apenas um quarto do trajeto, já haviam perdido três membros da expedição: um caiu nas corredeiras, outro foi assassinado, e o assassino foi abandonado no mato. O ex-presidente estava à beira da morte, com uma séria infecção na perna, após perder 15 quilos. A salvação foram seringueiros, que os ajudaram a chegar à foz. 

A foto acima foi tirada por seu filho, Kermit. Ele embarcou na expedição a pedido explícito de sua mãe, para proteger o velho alce fora de seu habitat natural. O rio não era ligação nenhuma e desde então atende por Rio Roosevelt. 


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