Vende-se crianças: O escândalo de Lucille Chalifoux

Não foi golpe de publicidade: há 69 anos, uma mãe dos EUA anunciou publicamente a venda de seus próprios filhos. E vendeu.

Fabio Marton

Foto polêmica mostra a mãe cobrindo o rosto | <i>Crédito: Bettmann Corbis
Foto polêmica mostra a mãe cobrindo o rosto | Crédito: Bettmann Corbis

FOTO-HISTÓRIA


O cartaz diz: “Quatro crianças à venda – Informe-se aqui”. A mercadoria está exposta na escada: no degrau mais alto, Lana, 6 anos, e Rae, 5; embaixo, Milton, 4, e Sue Ellen, 2. A mãe, Lucille Chalifoux, que chora escondendo o rosto do fotógrafo, estava grávida de David.

Foto: Bettmann Corbis 

Tirada em 4 de agosto de 1948, em Chicago (EUA), a foto foi publicada com o anúncio chocante:"sem arrependimento" em vários jornais, causando comoção e fazendo surgir ofertas de ajuda de leitores comovidos. 

A publicidade deu certo. Em dois anos, Lucille estava livre de seus "fardos". 

Vendidas ou adotados, os irmãos se dispersaram para só voltarem a se encontrar adultos. “Fui vendida por 2 dólares, e como meu irmão, Milton, estava perto de mim chorando, o casal resolveu levá-lo também”, contou Rae, em matéria o jornal The Times, em 2013. Aos 21 anos, ela reencontrou a mãe biológica. “Ela não tinha remorso, nunca nos amou”, diz. Milton foi tratado na fazenda como um escravo, deixado preso por dias a fio num celeiro. 

O ainda não nascido David foi criado num lar fundamentalista e, para escapar da rigidez, alistou-se cedo no exército. Serviu no Vietnã. Segundo ele, ele encontrou a mãe mais tarde. Havia se casado e tido mais quatro meninas, que manteve.

Sobre Lana e Sue Ellen não se sabe muito. Adotadas, a primeira morreu em 1998 de câncer. A segunda se limitou a dizer que "esperava que ela [a mãe] estivesse queimando no inferno".


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