Dia das Mães teve um começo doloroso

Criadora da data homenageou sua mãe falecida - e odiava a comercialização do feriado

Fábio Marton

Mãe e filho em imagem do começo do século 20 | <i>Crédito: Pixabay
Mãe e filho em imagem do começo do século 20 | Crédito: Pixabay
A PROPÓSITO

Se hoje o Dia das Mães é uma celebração em família, o primeiro deles foi bastante triste. A data surgiu num culto memorial de três anos da morte da ativista e filantropa Ann Jarvis, que havia organizado clubes de mães para lutar por melhorias de condições sanitárias em que viviam as crianças pobres e depois para ajudar soldados e órfãos da Guerra Civil, em ambos os lados. Essas instituições eram chamadas Mother's Day Work Clubs ("Clubes do Trabalho Diurno das Mães"), já tendo, por coincidência gramatical, o Mother's Day ("Dia das Mães") no título. Jarvis criou, em 1868, o Mother's Friendship Day ("Dia da Amizade das Mães"), para unir mães e veteranos de ambos os lados, numa celebração da paz. Outras ativistas propuseram outros dias das mães, como Julia Ward Howe, que criou o Mother's Day For Peace ("Dia das Mães Para a Paz") em 1872. 

O sentido dessas datas eram as mães se unindo para celebrar alguma coisa, não sendo celebradas. Isso mudou com o memorial de Ann Jarvis, organizado por sua filha Anna Jarvis, celebrado o Dia das Mães pela primeira vez em 10 de maio de 1908. Anne tentava desde o ano de morte de sua mãe tornar a data um feriado nacional, mas foi primeiro recebida com escárnio: sua proposta de 1908 recebeu a resposta dos congressistas de que podiam muito bem criar o "Dia da Sogra". Mas a data colou e, em 1914, acabaria oficializada pelo presidente Woodrow Wilson.

Dos EUA, a celebração passou para o resto do mundo, nem todos comemorando na mesma data. Na Noruega é em fevereiro e em Portugal, no primeiro domingo de maio. Por aqui, o Dia das Mães foi oficializado por Getúlio Vargas em 1932, no modelo dos EUA. 

Quanto à Anna Jarvis, passou o resto de sua vida, que terminou em 1948, amaldiçoando a comercialização do feriado. Entre outras, ela afirmou: "Cartões impressos não querem dizer nada além de que você é preguiçoso demais para escrever para a mulher que fez mais por você que qualquer outra pessoa no mundo. E os doces! Você leva uma caixa para a sua mãe — e come a maioria você mesmo. Belo sentimento!".


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