Esta cidade passou 4 mil anos sem ver guerra

Qual será o segredo da civilização de Çatalhöyük?

Thiago Lincolins

Reconstrução digital da cidade | <i>Crédito: Dan Lewandowski.
Reconstrução digital da cidade | Crédito: Dan Lewandowski.

Uma das primeiras cidades do mundo, Çatalhöyük foi fundada há cerca de 9500 anos e chegou a ter 8 mil pessoas em seu auge. O assentamento neolítico ficava no sudeste da atual cidade de Konya e foi descoberto em 1960 pelo arqueólogo britânico James Mellaart, num dos achados mais espetaculares do século passado. 

O local foi habitado por uma cultura avançada para o período. Em suas casas de adobe, as portas eram colocadas no teto e as pessoas entravam por uma escada feita de madeira. Todo mundo vivia no telhado, convivendo com os vizinhos. E fazendo arte complexa para a época. 

Uma das estatuetas feitas pela civilização / Wikimedia Commons

Mas o maior segredo de Çatalhöyük, um que ainda hoje gostaríamos saber, é como puderam viver sem guerras ou violência durante 4 mil anos.  

O anúncio foi feito por Ian Hodder, arqueólogo da Universidade de Stanford (EUA), que pesquisa o local desde 1993, ao jornal turco Daily Sabah. Nas escavações de cidades antigas, é comum surgir uma macabra camada de cinzas, que indica uma data em que tudo foi ao chão, queimado por invasores. Em seus quase 25 anos de escavação em Çatalhöyük, nada foi achado indicando que eles tenham enfrentado qualquer conflito. 

Uma casa (restaurada) da antiga civilização / Wikimedia Commons

"Çatalhöyük possuía uma sociedade estável", afirma Hodder. "Seus habitantes conduziram uma vida simples e sem luta, por 4.000 anos. Compartilharam uma vida em paz, sem qualquer líder." Ele comenta que o sítio é um exemplo de como a coletividade era importante para as pessoas deste período."Ao invés de viverem com os membros da família, essas pessoas costumavam conviver com as outras pessoas da sociedade. Eram todos uma enorme família.”

As escavações iniciais foram finalizadas, agora a próxima etapa é iniciar o projeto de restauração e preservação do local. Além da realização de novas pesquisas cientificas que vão responder perguntas como "o que comiam? " e "de onde e por que vieram? ".




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