O Massacre do Carandiru, minuto a minuto

Quase 25 anos atrás, o pior desastre do sistema prisional do país

Maria Fernanda Ziegler

Cena no filme Carandiru, de 2003 | <i>Crédito: Reprodução
Cena no filme Carandiru, de 2003 | Crédito: Reprodução

Em 2 de outubro de 1992, véspera das eleições para prefeito, aconteceu o maior massacre em uma prisão na história do país. Uma ação que não seguiu nenhum planejamento prévio e deixou 111 presos mortos. A tragédia virou livro, filme e teve apenas um culpado condenado, em 2001: o coronel Ubiratan Guimarães, que se elegeu deputado estadual por São Paulo no ano seguinte e morreu em 2006. Entre 2013 e 2014, 74 policiais foram condenados em um longo processo. Em setembro de 2016, o Tribunal de Justiça anulou essas condenações. 

10h ou 13h30
Antonio Luiz Nascimento, o Barba, e Luiz Tavares de Azevedo, o Coelho, começaram uma briga no Pavilhão 9. Barba partiu com um soco, ao que Coelho revidou com uma paulada. Desmaiado, Barba foi levado à enfermaria e a confusão se generalizou. O horário do início do tumulto é incerto.

14h
O diretor do presídio, José Ismael Pedrosa, ficou sabendo da confusão. Os presos expulsaram os funcionários do local, alegando que “é briga de ladrão, funcionário não tem nada que se meter”. Cercados, os carcereiros bateram em retirada. Não havia refém com os presos.

15h
O Secretário de Segurança Pública, Pedro de Campos, foi informado dos fatos. O coronel Ubiratan Guimarães, comandante da Polícia Militar, chegou ao Carandiru. Campos teria dito a ele por telefone: “Se necessário, o senhor está autorizado a adentrar o pavilhão”.

15h30
O coronel Ubiratan ordenou que a Tropa de Choque estacionasse do lado de fora do Carandiru. O 1º Batalhão de Choque, assim como o 2º e o 3º, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e o Comando de Operações Especiais (COE) também se alinharam ao lado do presídio.

16h30
Os presidiários viram imagens da Tropa de Choque pela televisão. Assustados, eles empilharam colchões, atearam fogo e armaram uma barricada para se proteger. Depois, jogaram pela janela canos, facas e qualquer objeto usado como arma que pudesse comprometê-los.

16h30 às 18h
A polícia invadiu o Pavilhão 9 e atirou para dentro das celas. O coronel Ubiratan desmaiou por causa de uma explosão e foi afastado do comando.

18h30
Os presos sobreviventes foram removidos para o pátio interno, onde se via uma multidão de homens nus sentados e rodeados por cães e policiais. Às 20h, começou a operação de retorno dos prisioneiros às celas, divididos em grupos de dez – alguns deles carregando corpos de colegas.

21h
Um lençol contendo 13 armas de fogo e várias armas brancas, como facas e estiletes, foi apresentado ao diretor da Casa de Detenção. O fato foi contestado no julgamento, já que os presos haviam cortado a luz e estourado canos d’água, o que praticamente impossibilitava a apreensão de armas àquela hora da noite.

23h
Os corpos foram entregues ao Instituto Médico Legal. Os presos, quase todos mortos dentro das celas, haviam sido empilhados no segundo andar e na sala de esportes às 18h30.

3/10 16h
A uma hora de terminar o horário de votação, o Secretário de Segurança Pública divulgou a lista dos 111 mortos. Até então, só oito mortes haviam sido admitidas, “para não comprometer o PMDB”, que concorria à prefeitura paulistana e era o partido do então governador Luiz Antonio Fleury Filho – segundo entrevista de Ubiratan à revista Veja.

 


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