Entrevista: Michael Baigent

Entrevista: Michael Baigent

01/07/2006 00h00 Publicado em 01/07/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

História – Como surgiu o interesse pelo Jesus histórico?

Michael Baigent – Não tinha um grande interesse em Jesus até escrever O Santo Graal e a Linhagem Sagrada. A partir daí começamos a pesquisar as inconsistências do Novo Testamento e de que modo ele havia sido escrito e compilado. Percebi então a imensa quantidade de perguntas que precisavam de resposta.

E qual foi o próximo passo?

Fiz uma grande pesquisa sobre a vida política de Jesus. Ficou muito claro que a crucificação foi uma execução política. Também ficou claro que o movimento zelote, que lutava contra a dominação romana, precisava de um líder, um rei que descendesse de Davi. Jesus estava cercado de zelotes, incluindo aqueles que tinham como função matar pessoas. Documentos gregos também provam que Jesus foi crucificado entre dois zelotes, e não entre ladrões, como diz o cristianismo.

E quanto à possível união entre Jesus e Maria Madalena?

Em grande parte desses manuscritos há referências ao relacionamento muito próximo que Jesus manteve com mulheres que estavam entre seus seguidores e, mais especificamente, com Maria Madalena. No fim do século 2, alguns dos seguidores de Jesus passaram a satanizar o sexo feminino, criando um tipo de cristianismo que exclui as mulheres dos papéis centrais da Igreja. O que ocorreu a partir daí é essa bobagem centrada na dominação masculina que impede as mulheres de ocuparem o lugar de padres, bispos, papas.

O fundamentalismo religioso vai acabar um dia?

Não, pois estamos falando de um sistema rígido, como o cristão, por exemplo. O cristianismo limita as expressões de seus seguidores justamente porque eles [a Igreja] têm medo de que, se as perguntas certas forem feitas, o sistema irá entrar em colapso. Acredito que todo sistema rígido, que teme críticas, não tem futuro. Estou convencido de que o Vaticano irá ruir. E isso será uma boa coisa. Adoraria ver o papa se tornar apenas o bispo de Roma.