São João Batista

O primeiro mártir dos católicos criou o rito batismal e anunciou a chegada do filho de Deus

01/03/2007 00h00 Publicado em 23/06/2017, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h35

Aventuras na História
Arquivo Aventuras

Junho 24

Nascimento: Em 24 de junho do ano 1 a.C., em Ain Kaim, na Palestina

Morte: Em 29 de agosto do ano 31, em Maqueronte, na Palestina

A vida de João sempre esteve ligada à de Jesus. Segundo a Bíblia, sua mãe, Isabel, era prima de Maria e as duas engravidaram juntas. Zacarias, pai de João, foi avisado da gravidez pelo anjo Gabriel. O emissário de Deus garantiu que o Senhor lhe mandaria um filho, João. Mas Zacarias estava descrente. Isabel tinha idade avançada e ainda não havia concebido um bebê. Fato terrível, pois a esterilidade era vista como maldição. Como duvidou do anjo, Zacarias foi castigado, ficando mudo até o nascimento do herdeiro.

Oito dias após a chegada do filho, Isabel o levou a Jerusalém para a cerimônia de circuncisão. Lá, anunciou que o nome da criança seria João. Os presentes tentaram impedir, afinal, o costume mandava que o bebê fosse batizado com o nome de algum parente. Mudo, Zacarias escreveu: o nome dele é João. E recuperou a fala.

Zacarias era sacerdote e realizou o sonho de ter um filho religioso. João começou a batizar as pessoas na margem do rio Jordão. Por isso, passaram a chamá-lo de Batista. Já existiam outros ritos, como a cerimônia judaica em que a própria pessoa imergia na água, mas João queria mostrar que o homem não podia se purificar sozinho, já que a santidade vinha de Deus.

Vestido com peles de camelo e alimentando-se de gafanhotos e mel, ele andava pelas aldeias profetizando a vinda do Salvador. Anos depois, o Messias apareceu e pediu para ser batizado. A partir daí, Jesus Cristo deixou sua vida anônima para trás.

A influência de João Batista sobre o povo incomodava os sacerdotes de Jerusalém. Segundo o historiador Flávio Josefo, que viveu no século I, o rei Herodes mandou prendê-lo na fortaleza de Maqueronte. Já a Bíblia conta que Herodes se casou com a mulher do irmão, Herodíanes, e João foi preso ao condenar o rei por tal ato. Não satisfeita, Herodíanes convenceu a filha, Salomé, a pedir de presente ao padrasto a cabeça de João em uma bandeja. Como a moça havia dançado para o rei em seu aniversário, ele decidiu presenteá-la. João foi o primeiro mártir do cristianismo.

A devoção a São João, alçado à condição de santo por aclamação popular, chegou ao Brasil com os portugueses, que acendiam fogueiras em homenagem a ele. Uma lenda explica a ligação entre o fogo e o santo. Diz-se que quando Isabel e Maria engravidaram combinaram que a primeira que tivesse o bebê anunciaria o nascimento acendendo uma fogueira na frente da própria casa. Isabel cumpriu o prometido e recebeu de presente da prima uma capelinha (coroa de folhas e flores), um feixe de palha seca e folhas perfumadas de manjericão, elementos incorporados à tradicional festa junina, inspirada no nome de João.

 

O santo do batismo

1. Costuma ser representado como uma criança por ter sido o precursor de Jesus ainda no ventre da mãe, Isabel.

2. A cruz refere-se ao martírio, quando foi decapitado por ordem do rei Herodes.

3. O carneiro no colo e a inscrição “Ecce agnus dei” remetem ao momento em que anunciou a chegada de Cristo com as palavras “Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira os pecados do mundo”.

A oração

São João Batista, voz que clama no deserto: “Endireitai os caminhos do Senhor... fazei penitência, porque no meio de vós está quem não conheceis, e do qual eu não sou digno de desatar os cordões das sandálias”, ajudai-me a fazer penitência das minhas faltas, para que eu me torne digno do perdão Daquele que vós anunciastes com estas palavras: “Eis o cordeiro de Deus, eis Aquele que tira os pecados do mundo”. São João, pregador da penitência, rogai por nós. São João, precursor do messias, rogai por nós. São João, alegria do povo, rogai por nós. Amém.