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10 particularidades sobre a Guerra do Paraguai

Do papel de Duque de Caxias a barbárie: conheça o mais longo conflito sul-americano da história

Redação Publicado em 06/09/2020, às 09h00

Quadro representando a batalha do Avaí
Quadro representando a batalha do Avaí - Wikimedia Commons

A Guerra do Paraguai foi o último de uma série de conflitos por territórios que pipocavam, desde o século 18, na região onde hoje ficam o Paraguai, o sul do Brasil e o norte da Argentina e do Uruguai. Quando a guerra estourou, em 1864, o Uruguai se esforçava para ser uma nação livre da Argentina e do Brasil.

Ironicamente, o Paraguai era o menos envolvido na pendenga que resultaria em sua total destruição. Entrou na confusão em abril de 1863, quando o presidente uruguaio, Bernardo Berro, foi pedir ajuda para se manter no cargo, já que Brasil e Argentina apoiavam a rebelião de seu rival, o general Venâncio Flores.

Depois de um ano de avisos e ameaças para que o Brasil não se metesse na disputa, o ditador paraguaio Francisco Solano López decidiu mandar capturar o navio brasileiro Marquês de Olinda no rio Paraguai e declarar guerra. 

Confira 10 curiosidades sobre o conflito.

1. Quase que Caxias não vai à guerra

Registro de Caxias /Crédito: Wikimedia Commons

 

Questões partidárias quase impediram que o duque de Caxias rumasse para o campo de batalha. Integrante do Partido Conservador, foi preterido pelo Partido Liberal, então no poder. Com milhares de brasileiros mortos na guerra, os liberais concordaram com a nomeação dele como comandante.

2. Império evita comemorações

Os soldados não foram recebidos com missas e solenidades oficiais, que só aconteceram por insistência do conde d’Eu, que substituiu o duque de Caxias no fim do conflito. Havia outra razão para evitar grandes concentrações: já na época o império temia que o Exército virasse o grande herói e libertador do país.

3. Cofres vazios

A Guerra do Paraguai também atacou dom Pedro II por outros flancos. O conflito raspou o tacho dos cofres brasileiros. Os cinco anos de luta saíram pela bagatela de 614 mil contos de réis. O orçamento total do país era de 57 mil contos. Para cobrir o rombo, o império aumentou os impostos e fez empréstimos. 

4. Argentina lucra com a guerra

A Argentina também saiu quebrada da guerra, mas, como era próxima aos conflitos, saiu lucrando em um setor econômico: a pecuária. Ela abasteceu milhares de soldados, e a criação de animais se fortaleceu. Surgiram enormes rebanhos pertencentes aos oficiais, como o general Urquiza, que chegou a ter 500 mil cabeças de gado.

5. Barbárie na guerra

Quadro retratando a Guerra do Paraguai /Crédito: Wikimedia Commons

 

A selvageria era comum após os combates. Como relata o engenheiro Benjamin Constant, que foi à guerra como oficial do exército, numa carta de 7 de julho de 1867, sobre um ataque brasileiro perto de Assunção: “Cabeças de uns (paraguaios) eram arrancadas do tronco a um golpe de espada, as de outros atiravam longe os miolos, alguns eram arrancados de cima dos cavalos atravessados pelas lanças. Nos paroxismos da morte, mordiam as hastes, o sangue esguichando das feridas. Muitos (soldados brasileiros) sentiam prazer em esquartejar os homens depois de mortos”.

6. Arte do conflito

A guerra teve importância para as artes plásticas brasileiras. Ao lado de quadros clássicos e oficiais, como A Batalha Naval de Riachuelo, de Victor Meirelles, a guerra teve pintores marginais que retratavam cenas realistas e até atuavam como fotógrafos, como Candido López, que pintou esta cena ao lado, da Batalha de Tuiuti.

7. Brasil unificado

Em 1 de março de 1870, a notícia do fim da guerra era, enfim, verdadeira. Os soldados começaram a voltar para o Brasil, que então já era outro. Com a forte participação do Rio Grande do Sul narefrega – até então um palco de rebeliões separatistas –, o Brasil, apoiado por voluntários e soldados de todos os estados, era agora uma nação unificada. A guerra sepultou as revoltas separatistas que pipocaram pelo Brasil em todo o século 19.

8. Muitos finais da guerra

Depois da queda do Forte de Humaitá, o fim da Guerra do Paraguai foi declarado várias vezes. Uma delas aconteceu em 27 de dezembro de 1868, em Lomas Valentinas: as tropas aliadas, com 24 mil homens, cercaram a fazenda onde Solano López tinha se refugiado com os últimos soldados paraguaios. 

9. Cerco a Solano

Solano López foi morto pelo cabo brasileiro Francisco Lacerda, o Chico Diabo. Ele havia sido cercado em 1 de março de 1870, em Cerro Corá, nordeste do Paraguai. Prevendo a fuga, 2,6 mil brasileiros atacaram os cerca de 200 inimigos com um efetivo pequeno na frente do acampamento, concentrando as forças na retaguarda. Quando tentava fugir a cavalo, López foi atingido por uma lança de Chico Diabo. Logo depois, levou um tiro de fuzil e morreu ali mesmo.

10. Brigas e rixas além das trincheiras

A rivalidade entre brasileiros e argentinos, não diminuiu mesmo com os dois países unidos pelo mesmo objetivo. Ao fim da guerra, as rixas aumentaram, incluíram os paraguaios e ainda perduram. Principalmente, como você sabe, nos jogos de futebol.