Afeganistão, Iraque, EUA: a guerra particular

Transtornos mentais atingem 25% dos militares que atuaram no Afeganistão e no Iraque

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/05/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Um quarto dos soldados americanos que retornaram de operações no Iraque e no Afeganistão desenvolveu algum tipo de distúrbio psiquiátrico, segundo pesquisa feita por uma equipe de cientistas da Califórnia. O levantamento, feito entre 2001 e 2005, foi divulgado pela publicação Archives of Internal Medicine, e avaliou pouco mais de 100 mil membros das Forças Armadas dos Estados Unidos que procuraram centros de saúde para veteranos de guerra nesse período.

Os mais jovens, na faixa entre 18 e 24 anos, são mais sujeitos a sofrer algum transtorno mental. O problema mais comum foi o estresse pós-traumático, que afligiu 13% dos estudados; além de ansiedade e transtorno de adaptação, que afetaram 6%; e depressão e abuso de substâncias diversas, com 5%.

Os pesquisadores apuraram que 13% dos diagnosticados são mulheres e 54% estão abaixo dos 30 anos de idade, sendo que 30% do total pertencem a minorias. “Os resultados sinalizam a necessidade de melhorias na prevenção de desordens mentais relacionadas ao serviço militar, particularmente entre os soldados mais jovens”, diz o estudo.

As autoridades médicas indicam que a guerrilha urbana e as operações de contra-insurgência, comuns no Iraque e no Afeganistão, contribuem para o aparecimento de problemas psicológicos nas tropas. “Alguns dos soldados enfrentam turnos múltiplos, muitos deles sofrem ferimentos traumáticos e muitos dos feridos sobrevivem bem mais do que antes”, aponta a pesquisa.