Alex Kurzem: troca de identidade

Mascote dos nazistas era, na verdade, judeu

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/09/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Seis décadas após ser “adotado” como mascote nazista na Bielo-Rússia, aos 5 anos de idade, Alex Kurzem revela no livro The Mascot (O Mascote), recém lançado no Reino Unido, o segredo que guardou por quase toda a vida: sua origem judaica. Depois de ter toda a família morta durante a invasão alemã, em 1941, o menino sobreviveu escondido na floresta por nove meses. Passando fome e conseguindo se aquecer com roupas retiradas de soldados mortos, ele começou a bater de porta em porta, até que o entregaram à polícia local, que seria incorporada à SS nazista.

Ao ser enfileirado com outras pessoas, o jovem sabia que era o fim. “Havia um soldado perto de mim e eu disse: ‘Antes de você me matar, poderia me dar um pedaço de pão?’ Ele me olhou e me levou para trás do prédio. Me examinou e viu que eu era judeu. ‘Isso não é bom. Olha, eu não quero matá-lo, mas não posso deixá-lo aqui senão você vai morrer’, ele disse.”

O garoto foi então rebatizado, recebeu um uniforme, uma pequena pistola e virou um passatempo da tropa. “Eles me pediam para fazer pequenos trabalhos, mas o principal era entreter os soldados.” Kurzem diz não entender os motivos que levaram o sargento Jekabs Kulis a ter pena dele, mas acha que sua aparência ariana foi crucial para se passar por um órfão descendente de alemães. O garoto chegou a aparecer em filmes como “o nazista mais jovem do Reich” e até serviu de isca para atrair judeus para a morte.

Em 1944, ele foi entregue a uma família da Letônia e, cinco anos depois, foi viver na Austrália, onde decidiu manter o passado em segredo. Somente agora Kurzem, cujo nome verdadeiro é Ilya Galperin, decidiu tornar pública sua história.