Armas do Front: fragmentos de bomba

Armas do Front: fragmentos de bomba

Fabiano Onça Publicado em 01/11/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Polêmicas e perigosas, as bombas de fragmentação têm alto poder de destruição e foram usadas em várias guerras nos últimos tempos. Forças russas as lançaram contra os chechenos; tropas nigerianas, contra os rebeldes de Serra Leoa; o governo do Sudão, contra as minorias étnicas; e, mais recentemente, Israel despediu-se dos libaneses com uma saraivada que fez um grande estrago no sul do país, na etapa final da invasão deste ano.

Essas bombas são chamadas de fragmentação porque, dentro do corpo principal do foguete, ficam encapsuladas centenas de pequenos explosivos, do tamanho de uma granada. Quando se aproxima do alvo, o foguete se desmantela, espalhando os artefatos numa área muito maior do que a atingida por uma bomba convencional. O maior problema, no entanto, é que bombas como essas não escolhem alvo e trazem grande perigo para a população civil. Além disso, cerca de 30% dos artefatos não explodem na hora, e acabam transformando-se em verdadeiras minas terrestres - que matam indiscriminadamente. No último conflito do Líbano, por exemplo, as tropas da ONU retiraram 17 mil explosivos de vilas e aldeias no sul do país.

Embora seu uso não seja proibido por nenhum acordo internacional, várias entidades, como a Cruz Vermelha, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, condenam veementemente o uso das bombas de fragmentação.

Onde elas já caíram

• Malvinas

Os britânicos não hesitaram em lançar mais de 100 bombas de fragmentação. Um total de 1,4 mil artefatos que não explodiram foram recolhidos das ilhas no Atlântico Sul.

• Laos

Embora tenham se passado 25 anos, mais de 500 mil toneladas de explosivos não detonados, em sua maioria bombas de fragmentação, permanecem em seu território.

• Kuwait

Desde a Primeira Guerra do Golfo, mais de 1,4 mil civis morreram em incidentes envolvendo bombas não detonadas, a vasta maioria de fragmentação.

• Kosovo

Calcula-se em 30 mil o número de artefatos não detonados, e 11 mil já foram recolhidos pela força-tarefa da ONU. Isso não impediu o saldo de 200 civis mortos e 400 feridos.