Bombas de fragmentação

Diplomatas vêem avanço nas negociações para banir essa arma, mais perigosa até que as minas terrestres

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/02/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Em uma conferência realizada em Genebra, em novembro, diplomatas envolvidos nas negociações sobre armamentos nas Nações Unidas apontaram avanços nas discussões a respeito da utilização de bombas de fragmentação, apesar de os principais negociadores do setor permanecerem contrários ao banimento das também chamadas bombas cluster. Representantes de países europeus e latino-americanos esperam que um acordo possa ser alcançado em 2008. A meta é firmar um protocolo que limite a utilização desse tipo de armamento, que atinge especialmente as populações civis.

As bombas de fragmentação, ao serem detonadas, espalham centenas de explosivos menores em uma área média equivalente à de um campo de futebol, causando sérios danos humanitários. Esse tipo de munição normalmente explode em contato com o solo, mas de 20% a 40% delas falham, transformando-se em artefatos até mais perigosos que as minas terrestres.

Atualmente, as bombas de fragmentação são fabricadas em mais de 30 países, sendo banidas apenas na Áustria, na Bélgica e na Noruega. Os Estados Unidos, a China e a Rússia insistem que esse tipo de arma possui uma destinação militar legítima. Na América do Sul, o Brasil é um dos únicos países que produzem as bombas de fragmentação e que se mantém à margem nas discussões de banimento.

O evento em Genebra reuniu 102 países, que concordaram em “negociar uma proposta que trate com urgência do impacto humanitário das munições de fragmentação, ao mesmo tempo em que busca um equilíbrio entre as considerações militares e humanitárias”.