Cair no conto-do-vigário

Cair no conto-do-vigário

Adriana Lui Publicado em 01/07/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Desde que existem os ingênuos, sempre houve alguém pronto a se aproveitar deles. Mas quando enganar o outro virou “conto-do-vigário”? Segundo Vasco Botelho do Amaral, autor do Grande Dicionário de Dificuldades e Subtilezas do Idioma Português, foi no século 19. Indo de cidade em cidade e apresentando-se como emissários do vigário, um grupo de malandros dizia-se portador de grande quantia em dinheiro, confiada a eles pelo próprio vigário e guardada numa mala pesadíssima. Para seguirem a viagem, coitados, precisavam de um lugar seguro para guardar o volume. Pediam em troca uma pequena soma em dinheiro, só como garantia. Não é que os portugueses caíam? Foram tantos que os golpes ficaram famosos e deram origem ao termo “vigarice” e seus derivados.

No Brasil, há uma versão segundo a qual, no século 18, uma imagem de Nossa Senhora era disputada por duas paróquias de Ouro Preto: a do Pilar e a da Conceição. O vigário da primeira sugeriu que a santa fosse colocada num burrico a meio caminho dos dois templos – a direção escolhida pelo animal definiria a igreja vencedora. O burro rumou para a igreja de Pilar. Também pudera, o bichinho pertencia ao vigário vigarista de lá.