Carlos Magno: o rei que formou um império

Ótimo estrategista militar, o rei dos francos, comandou vitórias contra saxões, mouros e lombardos. E, para expandir o primeiro império medieval, foi um político habilidoso

Maurício Bonas Publicado em 01/11/2005, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Carlos Magno era chamado Pai da Europa, e não à toa. Ele sabia também como comandar exércitos e administrava os territórios anexados com eficiência. Assim, construiu um império que se estendeu pelos atuais territórios da França, Alemanha, Países Baixos, Hungria, Itália e parte da Espanha.

Antes de Magno, a Europa era dividida, ao sabor das guerras, em dezenas de pequenos reinos. Carlos Martel e Pepino, o Breve, respectivamente o avô e o pai de Magno, já haviam iniciado um processo de anexação territorial e de centralização política para tentar melhorar o quadro. Carlos Magno herdou a coroa e o papel de terminar essa tarefa e expandir o reino dos francos.

Para isso, recebeu na adolescência educação dos melhores professores católicos da época. Quando coroado, em 800, virou um rei que costumava dizer-se bom cristão – mas, nos bastidores da corte, recebia amantes e concubinas. Só que era um soldado aplicado. Até porque foi muito bem preparado para liderar tropas e lutar em batalha. A partir da instalação de sua corte, Magno se envolveu em mais de 50 campanhas militares, a maioria ele comandou pessoalmente e venceu.

Antes de virar rei, Magno esteve à frente de nada menos que 18 operações de guerra para conseguir bater os saxões em 785. Nos anos seguintes, já como rei dos francos, derrotou os eslavos e esmagou os ávaros (povo da região onde fica hoje a Hungria) após uma década e meia de guerras. Enviou, na seqüência, uma armada para a Espanha, conquistando Barcelona. Suas tropas venceram também os saxões, na atual Alemanha, e Magno obrigou o comandante Witkind a se converter ao cristianismo. O exército franco ainda abateu os lombardos, na Itália – e ali Carlos Magno ordenou que colocassem o rei Desidério num convento.

A estratégia de Carlos era obrigar as populações dominadas a se cristianizar, o que levou a Igreja a apoiá-lo. Depois de conquistar territórios, repartia o poder político local em condados administrados por marqueses e condes, prepostos de seu governo. Para dar uma unidade cultural, Carlos impunha versões simplificadas do idioma latino e criou escolas que cuidaram de recuperar as obras clássicas greco-romanas. Vem desse período o uso do órgão e o canto gregoriano nas missas.

Embora a grande nação européia construída por Magno tenha se fragmentado logo após sua morte, a dinastia consolidada por ele se manteve na França até 987. A nação criada por Carlos foi picotada em três – França, Lotaríngia e Germânia. Em sua biografia de Charlemagne (nome do rei em francês), o professor Jean Favier, da Sorbonne, nota que a história só guardou dele a imagem do militar que vencia batalhas. Mas, mesmo que o império tenha se esfacelado – por causa das dificuldades de comunicação e da diversidade dos costumes – , as cidades européias se desenvolveram e algumas, como Paris, viveram um salto de cultura no período em que Magno foi rei.