Cesariana

Em casos complicados, sobrevivia ou a mãe ou o filho - muitas vezes, nenhum dos dois

Fred Linardi Publicado em 01/09/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

É claro que, antes da cesariana, as crianças nasciam por parto normal. Mas as complicações eram muitas e não dava para recorrer ao bisturi. Se a saída estivesse obstruída ou o bebê em posição errada, era morte na certa. Da mãe, do filho ou de ambos.

O parto normal era um risco antes de meados de 1900, principalmente para as mães. Além dos problemas acima, os métodos de higiene e segurança eram precários. Por isso, muitas superstições envolviam o momento. Apenas parteiras podiam fazê-lo e os homens eram proibidos de entrar no local ou deveriam sair de casa durante o parto (que poderia passar de dez horas). Acreditava-se que a presença deles, inclusive médicos, atrasaria o processo.

Esse tipo de parto, no entanto, era a única opção. Aperta daqui, empurra de lá, puxa para cá... E foi assim que surgiu o fórceps, inventado por Peter Chamberlen em cerca de 1600. O aparelho enganchava na cabeça do pequerrucho e ajudava a trazê-lo ao mundo. Em casos mais dramáticos, quando o bebê não resistia antes de sair, usava-se a craniotomia, que consistia na perfuração do crânio do feto para tirá-lo aos poucos do útero, ainda pela vagina.

O primeiro passo para a cesariana moderna foi dado, porém, na Antiguidade. Na época, a prática de cortar a barriga da mãe acontecia só depois de sua morte. A incisão também era feita para tentar salvar a vida do filho ou então tirá-lo quando ele já sofrera também o óbito. Tradições religiosas e até leis de Roma em 700 a.C. proibiam funerais de mulheres grávidas.

É mito, portanto, a história em torno do nascimento do ditador Julio César, que teria vindo ao mundo dessa forma. Em grandes impérios, como é o caso do romano, caso houvesse risco para uma das vidas, a criança era poupada – assim, estaria garantida a perpetuação social. No entanto, a mãe de César, Aurélia, viveu muito tempo depois de dá-lo à luz, inclusive parindo mais filhos. E, naquela época, era impossível uma mulher viver depois de um corte daqueles. O nome “cesariana” teria vindo a partir da palavra ceasare, que significa “cortar”. A César o que é de César – com algumas exceções.