Chapinha

Coragem não faltou às mulheres na hora de deixar as madeixas lisas

Sara Duarte Publicado em 01/02/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

O desejo de ter cabelos lisos não é mera futilidade do mundo moderno – ele acompanha a humanidade desde os tempos dos faraós. Naquela época, melenas crespas eram domadas com banha de porco, sebo e óleo de peixe. Tempos depois, no século 18, as mulheres lavavam os cabelos com éter e ácido sulfúrico diluídos em água. Esses banhos podiam causar a queda de cabelos e a cegueira. Foi só no século 19 que elas começaram a domar as madeixas pela ação do calor, com toalhas molhadas em água fervente e barras de ferro aquecidas em carvão, sob o risco de queimaduras. “Não se sabia a temperatura ideal para não torrar os fios”, diz o engenheiro eletrônico Nilton Santos, da Taiff, empresa de eletrodomésticos para cabelos.

A mulherada, entretanto, não esquentou a cabeça e seguiu esticando os fios. No início do século 20, “descobriu-se que a 100 °C, o hidrogênio presente nos fios evapora, deixando-os lisos”, diz o dermatologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo. Em 1906, o engenheiro americano Simon E. Monroe criou um pente elétrico de ferro que era ligado na tomada. Três anos depois, seu conterrâneo Isaak K. Shero, também engenheiro, inventou o flat iron, um protótipo da atual chapinha, que era aquecido em fogareiros.

Mas a moda do alisamento só pegou nos anos 20, quando surgiu, em Paris, o primeiro modelador de cabelos. “Era o ferro Marcel, pinça gigante aquecida no fogareiro. A temperatura era controlada empiricamente”, diz Mário Merlino, cabeleireiro que coleciona equipamentos como esse. Nos anos 80, surgiram as chapinhas elétricas, que logo migraram dos salões para as casas. Hoje, o artefato tem chapas de turmalina que diminuem a eletricidade estática nos fios e outras de cerâmica que emitem infravermelho e íons negativos, aumentando a durabilidade do penteado. A prática se tornou popular porque é segura e reversível: é só expor o cabelo à umidade que ele volta a ser como antes. Mas a prancha deve ser usada no máximo duas vezes por semana, a 140 °C. “Senão o cabelo enfraquece e se quebra”, diz Bedin.