Chocolate: gosto amargo

Consumidores de chocolate podem estar financiando conflito na Costa do Marfim

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/07/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Um relatório publicado pela organização não-governamental Global Witness, baseada em Londres, denuncia que os lucros provenientes do tráfico e dos desvios do comércio de cacau na Costa do Marfim podem estar financiando o conflito interno entre o governo do país, que tem controle sobre o sul, e os rebeldes, que comandam a guerrilha no norte.

A ONG indica que ao menos 118 milhões de dólares desse mercado serviram para enriquecer os líderes da guerra civil que aflige a nação africana há quase cinco anos. “Há uma grande chance de que sua barra de chocolate contenha cacau da Costa do Marfim e possa ter financiado o conflito lá, o que deixa um gosto amargo na boca”, declarou Patrick Alley, diretor da organização britânica.

Maior fornecedora mundial da matéria-prima do chocolate, a ex-colônia francesa é responsável por aproximadamente 40% da produção do fruto no planeta. Apesar de deixar claro que é muito difícil determinar a origem do cacau que chega aos consumidores em todo o mundo, a Global Witness aponta que existe uma grande probabilidade de que as principais indústrias de chocolate, especialmente as que operam na Europa e nos Estados Unidos, comprem parte de sua matéria-prima do país do oeste africano.

Em setembro de 2002, uma rebelião do Exército marfinense acabou ganhando proporções de uma verdadeira guerra civil, o que deixou a nação dividida em duas partes, em meio à zona de controle das Nações Unidas.