Coleção Bad Arolsen: a abertura do último arquivo nazista

Quarenta e sete milhões de documentos deverão setornar públicos este ano

Rodrigo Rezende Publicado em 01/08/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Se as estantes do último arquivo nazista ainda fechado ao público fossem colocadas em fila, uma após a outra, ocupariam 27 quilômetros – distância equivalente a duas pontes Rio-Niterói, no Rio de Janeiro. É essa coleção imensa, com 47 milhões de documentos e localizada na cidade de Bad Arolsen, na Alemanha, que vai se tornar pública ainda este ano.

A decisão de abrir os dados, confidenciais há mais de 60 anos, foi oficializada pelo governo alemão em junho. “É o arquivo mais completo e, para temas de pesquisa como história dos costumes e efeitos psicológicos nas vítimas, é a única fonte”, diz Paul Mertz, presidente da comissão que gerencia a coleção.

O arquivo foi formado após a Segunda Guerra Mundial com o intuito de servir como banco de dados para a procura de civis desaparecidos e como fonte de informação para ações de indenização às vítimas do nazismo. Ele é uma compilação de dados pessoais de 17,5 milhões de vítimas, coletados de registros dos campos de concentração e de ordens de prisão da Gestapo, a polícia secreta alemã.

É justamente por causa do caráter pessoal desses dados que o governo alemão afirma não tê-los tornado públicos até hoje. “Na Alemanha, há uma paranóia a respeito da preservação da intimidade dos cidadãos. Ela costuma atrapalhar o trabalho dos historiadores”, diz o alemão Michael Kater, professor de História na Universidade York, no Canadá, e autor de oito livros sobre nazismo.

Apesar da abrangência, a coleção tem suas restrições. “Não há, por exemplo, informação suficiente sobre o extermínio das vítimas”, afirma Udo Jost, um dos gerentes do arquivo alemão. Além disso, os originais dos documentos nazistas nem sempre eram bem cuidados.

Mesmo que os arquivos não causem uma revolução na história do nazismo, a abertura da coleção Bad Arolsen dá a oportunidade de andar com mais calma pelo período, prestando atenção à vida de cada pessoa que o constituiu.