A coluna de Trajano

Conquistas do imperador romano se eternizam neste monumento

Celso Miranda Publicado em 01/03/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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No ano de 98, subia ao poder em Roma um general nascido da Hispania (a atual Espanha). Era Ulpio Trajano. Guerreiro nato, ele queria fortalecer as fronteiras de Roma. Pela última vez na história do império, Roma comportaria uma política de fins imperialistas cujo principal objetivo era o baixo Danúbio. Ali viviam os dácios, onde hoje ficam a Romênia e a Hungria, terras férteis ricas em ouro e prata. Os dácios tinham potencial militar e econômico para rivalizar com Roma. Assim, Trajano seguiu para combatê-los. A conquista se deu em duas guerras entre os anos 101 e 105. Mas é uma campanha militar mal documentada. Trajano nos deixou então outro tipo de relato, inusitado. Uma coluna de pedra que mandou erigir, em 113, diante do fórum de Roma. Nela, as imagens de guerra ficaram gravadas em baixo-relevo e sobem em espiral por todo o monumento. A obra ainda pode ser vista e visitada. Fica no centro de Roma.

A conquista da Dácia

1. O inimigo

A Dácia, como outros povos bárbaros da Europa, não possuía um exército permanente. Na época de Júlio César, o rei Burevista reunira os clãs dácios numa espécie de federação de tribos. O exército contava com 200 mil homens.

2. Primeiro conflito

Os dácios eram vistos pelos romanos como uma ameaça à fronteira do Danúbio. Em 86, sob ordens do rei Decébalo, eles acabaram com os romanos na região. O império propôs trégua.

3. Superioridade

Mas a trégua era só um adiamento da guerra - que começou em 101. Trajano contava 120 mil homens. Os dácios possuíam 40 mil soldados para os combates.

4. Vitória inicial

Os romanos derrotaram os exércitos dácios e o reino de Decébalo foi reduzido a um estado cliente do império romano.

5. A Dácia é de Roma

A conquista completa aconteceu entre 105 e 106, quando os exércitos de Trajano venceram novas batalhas. Então o reino dácio foi convertido em uma província romana.

 

A coluna

São Pedro no topo

Ali ficava uma estátua do imperador Trajano. Mas, em 1587, ela foi trocada. O papa Sisto V mandou colocar no local uma estátua de são Pedro.

As pinturas

Hoje é difícil ver a olho nu as imagens. No passado, não era assim. As figuras originalmente eram coloridas, como outros monumentos em pedra da Roma antiga.

E as histórias?

São contadas de baixo para cima e da esquerda para a direita. Trajano aparece 60 vezes: dirige seus exércitos, anima e premia soldados. O rio Danúbio é retratado por um ancião que franqueia a passagem das tropas para as terras dácias.

A coluna tem

• 30 m de altura

• 3,68 m de diâmetro

• São cerca de 2,5 mil quadros em baixo-relevo

• Os desenhos se sucedem por quase 200 m

• Eles se elevam em espiral, dando 23 voltas na coluna

Por dentro

No interior, há uma escadaria em caracol, com 185 degraus, que leva ao topo do monumento. O autor da coluna foi o arquiteto Apolodoro de Damasco, que chegou a acompanhar Trajano em suas batalhas.

Urna funerária

Na base, há uma urna de ouro. Nesse espaço estão depositados os restos mortais do imperador romano Trajano e de sua mulher, Plotina.