Como Fazíamos Sem... Bússola

Estrelas no céu, fundo do mar e passarinhos orientavam os navegantes

Tarso Araujo Publicado em 01/02/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Desde o século 1, os chineses sabiam que uma agulha magnética livre para girar sobre uma base apontava para os pólos terrestres. No entanto, usavam a bússola apenas para o feng shui, aquela prática de harmonização de ambientes. Seu uso como instrumento indispensável de navegação só se difundiu no século 13, entre os venezianos e, depois, em toda a Europa.

Antes, a referência mais importante eram as estrelas. Os fenícios e os cretenses usavam-nas desde o século 25 a.C. Por volta do século 3 a.C., os egípcios elaboraram um calendário com a posição de 36 constelações e estrelas no céu ao longo do ano. Assim, bastava medir a altura de uma estrela catalogada (eles tinham um instrumento para isso) para estimar a posição na Terra. O norte dos marinheiros era determinado a partir de estrelas como a Polar, que está perto do pólo Norte e não se move no céu conforme a Terra gira em torno de seu eixo.

De dia, o Sol funcionava como referência. Quando o céu estava nublado, nos mares do norte, os escandinavos observavam as aves migratórias para fazer suas rotas. No oceano Índico, as monções serviam como orientação, já que sopram na mesma direção o ano inteiro. Sem esses recursos, ninguém navegava.

O fundo do mar era outra referência. Uma corda marcada com um nó a cada duas braças (cerca de 3,8 metros) e um pedaço de chumbo preso na ponta era lançada ao mar para medir a profundidade. Adicionava-se sebo ao peso para que ele voltasse com uma amostra do solo marinho. Navegadores mais experientes sabiam onde estavam de acordo com a profundidade e o tipo de areia ou vegetação que vinha lá de baixo. Pelo menos até o século 15, a Marinha inglesa continuou confiscando essa corda de embarcações inimigas para proibi-las de navegar.

 

O GPS é deles

Militaresamericanos detêmo monopólio

GPS é a sigla de Global Positioning System, sistema que determina uma posição no planeta com precisão de 3 a 10 metros. Ele funciona desde 1978 e substituiu a bússola, pois ela não é tão precisa, especialmente perto dos pólos. O aparelho de GPS recebe sinais de uma rede de 24 satélites em órbita e calcula a distância entre ele e os três satélites mais próximos para determinar sua posição. O sistema, porém, é controlado pelos militares americanos. Se eles desligam o GPS, deixam todo mundo perdido (menos eles, que têm um sistema especial). Por isso, a boa e velha bússola ainda é indispensável em qualquer expedição por terra, água ou ar.