A cor azul

Pigmento, produzido com pedra preciosa, já foi extremamente caro

Lívia Lombardo Publicado em 01/10/2006, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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Claro que o azul existe desde sempre. Mas nem sempre a gente conseguiu produzir artificialmente essa cor. Vermelho, preto e branco dominaram quase todas as representações artísticas até o início da Idade Média devido à facilidade com que as tintas podiam ser fabricadas. Já o azul era difícil de ser obtido. Está certo que os egípcios conheciam um pigmento dessa cor há mais de 5 mil anos. Mas ele era misturado ao pigmento de uma pedra semipreciosa, o lápis-lazúli. Foi a dificuldade para chegar ao tom que fez com que os romanos durante a Antiguidade o associassem aos bárbaros – até ter os olhos claros era sinônimo de barbárie.

No começo da Idade Média, o vermelho era a cor da nobreza, enquanto o azul era dos servos. Os tecidos eram tingidos de azul com o pigmento extraído de uma planta chamada ísatis, ou pastel-de-tintureiro. Para conseguir a tinta, era necessário deixar a planta fermentando em... xixi humano. Com o tempo, perceberam que o álcool acelerava o processo – por isso, tintureiros ingeriam bebidas alcoólicas com a desculpa de que o xixi já sairia rico em álcool. A expressão em alemão blau werden, literalmente traduzida como “ficar azul”, significa na Alemanha “ficar bêbado”.

No século 6, a técnica para a obtenção do pigmento chamado azul-ultramar, feita com o lápis-lazúli, ganhou a Europa – a pedra, no entanto, chegou a custar mais que o ouro. A descoberta do caminho marítimo para as Índias, no fim do século 15, levou para a Europa o pigmento conhecido como índigo indiano, obtido com uma planta oriental. A utilização foi proibida – uma tentativa de preservar o tom produzido na região com a ísatis – e dava até pena de morte.

O pigmento azul-da-prússia foi descoberto acidentalmente na Alemanha, numa experiência sobre oxidação do ferro, em 1704. Custava um décimo do preço da tinta feita a partir do lápis-lazúli e fez sucesso entre os pintores da época. De lá para cá, a indústria química evoluiu e possibilitou a obtenção de centenas de pigmentos mais baratos. Isso foi um fator crucial para o surgimento, no século 19, do impressionismo de artistas como Monet, que davam grande valor à cor. Mas, como muitos dos pigmentos desse período não possuíam uma boa permanência, vários quadros da época sofreram uma prematura descoloração.