Cruzadas: Invasões bárbaras

Livro mostra como os cavaleiros medievais foram vistos por quem estava do lado de lá

Rodrigo Cavalcante Publicado em 01/01/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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Depois que o papa Urbano II fez um sermão ao ar livre na cidade de Clermont, na França, no ano de 1095, o mundo jamais seria o mesmo. É que foi nesse sermão que o pontífice incitou bispos, nobres e cavaleiros a tomar Jerusalém das mãos dos muçulmanos. Pronto: teve início aí a primeira de uma série de cruzadas, movimento que moldou o futuro da Europa e o embate entre cristãos e muçulmanos nos séculos seguintes.

No imaginário ocidental, as cruzadas foram vistas como o palco em que cavaleiros demonstraram seus mais nobres valores em nome da cristandade. Mas como esses mesmos cavaleiros foram vistos pelos muçulmanos que tocavam tranqüilamente suas vidas na região antes de os cruzados chegarem?

Em 1983, o escritor libanês Amin Maalouf escreveu As Cruzadas Vistas pelos Árabes (Brasiliense) para responder a essa pergunta. E a resposta foi perturbadora: para os seguidores de Maomé, a tomada de Jerusalém pelos cruzados foi uma verdadeira invasão bárbara. Maalouf conta como os muçulmanos ficaram horrorizados diante de milhares de guerreiros louros matando adultos, velhos e crianças, estuprando mulheres e saqueando mesquitas. E as vítimas do ataque, conta o autor, não foram apenas os muçulmanos. Milhares de judeus que viviam na cidade morreram queimados ao buscarem refúgio em uma sinagoga de Jerusalém incendiada pelos invasores cristãos.

Dessa primeira invasão, no século 11, até a derrocada final dos cruzados no século 13, Amin Maalouf narra os eventos em tom de aventura épica, sem perder de vista os principais personagens que participaram das batalhas. A impressão, para quem lê, é a de que os primeiros cristãos que chegaram por lá foram vistos, com certa razão, como selvagens e ignorantes, já que eram compostos também de maltrapilhos pobres que desconheciam a civilização islâmica. Nunca é demais lembrar que, na época, o império islâmico era bem mais sofisticado culturalmente do que os reinos cristãos medievais.