O empate da Batalha de Eylau

O empate da Batalha de Eylau

Fabiano Onça Publicado em 01/11/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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“Que massacre! E sem resultado.” Atribuída ao marechal francês Michel Ney, a frase resume bem a batalha de Eylau. Após derrotar a Prússia, em 1806, Napoleão Bonaparte partiu para liquidar o último inimigo de seu império: a Rússia. O encontro ocorreu em fevereiro de 1807, na aldeia de Eylau (perto da atual cidade russa de Bagrationovsk). Na noite do dia 7, os franceses começaram a tentar tomar a vila dos russos. Pela manhã, as escaramuças dariam lugar a uma batalha campal.

Mesmo com os marechais Ney e Davout ainda a caminho de Eylau, Napoleão tomou a iniciativa do combate. Às 8h, enviou os regimentos do marechal Soult num ataque frontal. A resposta russa foi uma violenta investida contra a esquerda francesa, obrigando Soult a recuar. Napoleão usou então sua única reserva de infantaria, os homens do marechal Augereau. Foram massacrados pela artilharia russa.

Escondido na torre de uma igreja, Napoleão deu sua última cartada: lançou ao ataque os cerca de 11 mil homens do marechal Murat, numa das maiores cargas de cavalaria da história. A iniciativa ajudou os recém-chegados soldados de Davout a equilibrar o jogo. Com a aparição dos homens de Ney, às 22h, os russos bateram em retirada. As exaustas tropas de Napoleão, contudo, não tentaram persegui-los. Para um imperador acostumado a épicas vitórias, Eylau foi um trágico empate.

 

Reforços

Para ir além da batalha

Propaganda pesada

Mestre em exibir suas conquistas para o povo francês, Napoleão tentou vender uma boa imagem da carnificina de Eylau. Para começar, ditou suas impressões a um alemão que, depois, daria entrevistas à imprensa francesa como “testemunha” da batalha. Em seguida, Napoleão lançou um concurso em que pintores tiveram que retratar Eylau a partir de esboços oficiais. O vencedor foi Antoine-Jean Gros, com Napoleão no Campo de Batalha de Eylau (hoje no Museu do Louvre, em Paris).

Dragões a pé

Os dragões eram a maior parte da cavalaria francesa em Eylau. Se seus colegas couraceiros tinham armaduras pesadas e lutavam montados, os dragões usavam os cavalos para chegar ao campo de batalha, mas lutavam a pé, com armas de fogo. Essa tropa mista, que unia traços de infantaria e cavalaria, serviu de inspiração para nossos Dragões da Independência – que fazem a guarda do presidente da República.

Cunhados coragem

O intrépido Joachim Murat, líder do lendário ataque de cavalaria, era marido de Carolina, irmã mais nova de Napoleão. Em 1808, recebeu dele o título de rei de Nápoles. Quatro anos depois, entretanto, Murat traiu o imperador, abandonando a liderança do exército francês (que se retirava da Rússia) para defender seu reino na Itália. Derrotado, acabou fuzilado pelos austríacos em 1815.