Eram as pirâmides um blefe?

Arqueóloga defende a tese de que as descomunais construções serviam de propaganda para disfarçar a fragilidade dos faraós

01/06/2007 00h00 Publicado em 01/06/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Arquivo Aventuras

Mais do que homenagear deuses (ou seres de outro planeta que teriam ajudado em sua construção, segundo ufólogos), guardar os restos mortais dos faraós e proteger os bens que eles levariam para a outra vida, as pirâmides serviam como espetaculares peças de marketing político. Essa é a opinião da arqueóloga americana Joyce Marcus. Comparando as maiores construções de vários períodos da humanidade, ela concluiu que a maioria delas foi erguida em tempos anteriores ao que se pode chamar de auge desses povos. Isso mostra que os monumentos serviam, na verdade, para mostrar um poder ilusório.

A grande pirâmide de Quéops surgiu no período denominado Reino Antigo, que vai de 2575 a.C. a 2134 a.C., pelo menos 1000 anos antes do Reino Novo, quando a civilização egípcia mais se expandiu. “Tratava-se de uma espécie de blefe, uma demonstração de grandiosidade que não refletia o real poderio dos faraós”, diz Joyce. À medida que o Egito foi se consolidando, as pirâmides foram diminuindo de tamanho.

TAMANHO NÃO É DOCUMENTO

Quéops construiu a maior de todas as pirâmides, com 146 metros de altura e 230 metros de largura. Mas ficou para a história como um ditador que sacrificou o povo para construir suas estruturas colossais em vez de se preocupar em desenvolver a nação.

Ahmés (1552-1526 a.C.) iniciou o expansionismo e o poder bélico que marcou o Reino Novo (1550-1070 a.C.). Suas pirâmides não passam de 8 metros de largura.

Ramsés II governou por 67 anos durante o auge do império e transformou o Egito na maior potência do planeta. Construiu o templo de Abu Simbel, que tem quatro estátuas de 20 metros de altura na entrada, mas não ergueu nenhuma pirâmide.

DE OUTRO PLANETA

Se as pirâmides já provocavam assombro por seu tamanho e pela falta de pistas sobre como foram projetadas e construídas, um livro publicado em 1968 jogou lenha na fogueira e provocou um rebuliço mundial. Naquele ano, o escritor suíço Erich von Däniken lançou o best-seller Eram os Deuses Astronautas?, no qual tentava provar que os deuses cultua-dos nos primórdios da humanidade eram seres de outro planeta. Um dos argumentos foi a construção de pirâmides colossais em locais distantes, como Egito, Peru e México. Como eles tiveram a mesma idéia praticamente ao mesmo tempo? Como conseguiram erguer tantos blocos de pedra sem guindaste? Como transportaram todo o material para a obra? O debate segue quente até hoje.

 

Dom Pedro II esteve lá

Texto Leandro Narloch

Que presidente brasileiro gosta de viajar, todo mundo já sabe. Pouca gente sabe, porém, que essa tradição começou antes mesmo da República, com o imperador dom Pedro II. Além de várias voltas pelo Brasil, dom Pedro fez três grandes viagens pelo mundo entre 1871 e 1888, a menor delas com dez meses de duração. Visitou dos Estados Unidos ao Oriente Médio, passando antes por toda a Europa e pelo norte da África. No total, foram três anos e sete meses inteiros de recepções de reis, czares, sultões e autoridades. Quando não levava fotógrafos na comitiva, dom Pedro posava, ao lado da imperatriz Thereza Christina, para fotógrafos dos estúdios já instalados nos primeiros pontos turísticos do mundo: Egito, Jerusalém e Pompéia. Em 1871, a base da pirâmide de Gizé ainda não havia sido escavada pelos arqueólogos, mas lá estava nosso imperador. E registrou o momento na foto com a imperatriz e especialistas em monumentos e hieróglifos.

A Grande Pirâmide de Gizé

A mais antiga maravilha é a única que ainda está de pé
Texto Maria Dolores Duarte

A Grande Pirâmide de Gizé é a mais antiga das Sete Maravilhas do mundo antigo – e a única que ainda existe. Erguida em 2550 a.C., foi trabalho para muita gente. Estima-se que 100 mil operários tenham participado de sua construção, que levou cerca de 20 anos. Eram homens livres, pagos muitas vezes com comida e cerveja.

Três construções formam o complexo conhecido como Pirâmides de Gizé. Mas apenas a maior, a Grande Pirâmide, é considerada uma das maravilhas. Ela foi construída pelo faraó Quéops (seu nome egípcio era Khufu; Quéops é o nome grego, mais famoso) para ser sua tumba, no platô de Gizé, perto do Cairo. Suas dimensões são monumentais: 137 metros de altura – originalmente eram 147 – e 227 metros em cada lado da base. O edifício mais alto do Brasil não é muito maior que isso – tem 189 metros de altura.

“As pirâmides eram obras nacionais que reuniam todo o Egito, o que ajudava na unificação política”, diz o egiptólogo Antônio Brancaglion Junior. “Existia, inclusive, uma espécie de fundação que geria os recursos destinados aos salários e materiais necessários para sua construção e manutenção.”

 

Gigante reluzente

Construção foi a mais alta do mundo por 4 mil anos

Feita para brilhar

Quéops mandou revestir toda a parte externa de sua futura tumba com pedra calcária polida. A pirâmide, literalmente, brilhava com a luz do sol e podia ser vista a quilômetros de distância. O revestimento foi saqueado há mais de 600 anos. Hoje existem apenas resíduos dele no topo da maravilha.

Exploração complicada

Além da Câmara do Rei, outras duas são conhecidas: a da Rainha (que, apesar do nome, não abriga a múmia da mulher de Quéops, que foi enterrada fora da Grande Pirâmide) e a Secreta. Para descobrir se há outras salas, os cientistas teriam de usar explosivos, que podem danificar a estrutura da obra.

Sistema de segurança

Entre as medidas tomadas para que o sarcófago do faraó não fosse saqueado, os idealizadores da pirâmide colocaram pedregulhos para bloquear as entradas, portas pesadas de granito, corredores e câmaras vazias para despistar invasores.

Indecisão faraônica

Durante os 20 anos que a pirâmide levou para ser construída, Quéops teria mudado duas vezes de idéia quanto à localização de seu sarcófago. Por fim, acabou optando por uma sala localizada no centro da pirâmide, chamada de Câmara do Rei. Quéops teria sido enterrado lá. Mas, quando o local foi explorado, em 820, o sarcófago já estava aberto e vazio.

 

Engenharia misteriosa

Não se sabe como os egípcios levantaram a obra

O caminho das pedras

Algumas teorias explicam como teria sido o processo de construção. A mais aceita é a de que os blocos eram arrastados sobre troncos de madeira por uma rampa. Outra possibilidade seria uma rampa nas paredes externas do monumento.

Não é magia, é tecnologia

Uma nova teoria, apresentada em março pelo arquiteto francês Jean-Paul Houdini, afirma que os primeiros 43 metros foram construídos com a rampa externa como a da figura 1, mas, a partir daí, os blocos foram levados até o topo por meio de rampas internas em espiral.

Pedras preciosas

Duas hipóteses explicam a origem dos 3 milhões de blocos de pedra da pirâmide (cada um tem 2,5 toneladas). Uma é que as tais pedras foram levadas de barco, pelo rio Nilo, e içadas por cordas pelos operários. Outra é que essas pedras eram sintéticas, feitas com uma espécie primitiva de concreto, à base de calcário, e vazadas em moldes no canteiro de obras.