Espionagem: Ecos da Guerra Fria

A misteriosa morte do russo

Guilherme Gorgulho Publicado em 01/01/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

A espionagem internacional voltou ao centro das discussões em novembro com o assassinato do ex-membro da KGB Alexander Litvinenko, em Londres, por envenenamento. A morte gerou especulações sobre uma possível participação de Moscou no crime. Em uma carta divulgada após sua morte, o próprio Litvinenko, que investigava o assassinato da jornalista russa Anna Politkovskaya, acusou o governo do presidente russo, Vladimir Putin, por seu envenenamento.

Cerca de 20 dias antes de morrer, o ex-espião havia se reunido com o professor italiano Mario Scaramella, especialista em segurança e espionagem, em um restaurante no centro de Londres. No encontro, o italiano teria passado informações sobre pessoas que poderiam estar envolvidas no assassinato de Anna, que havia denunciado atrocidades do Kremlin na Tchetchênia. Litvinenko chegou a acusar o governo de seu país pela explosão de um conjunto de apartamentos que matou mais de 300 pessoas em Moscou, em 1999. A intenção do Kremlin com a operação seria responsabilizar grupos separatistas e obter apoio para a Guerra da Tchetchênia.

De acordo com o laudo médico, Litvinenko, que foi agente do Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB, antiga KGB) e vivia exilado no Reino Unido desde 2000, foi vítima de complicações causadas por uma elevada dose de uma substância radioativa conhecida como polônio-210. Uma das principais pistas que indicam uma ação orquestrada pelo governo seria a dificuldade de um indivíduo sem ligações com setores públicos conseguir obter o polônio-210 na quantidade que intoxicou Litvinenko.

O Kremlin nega qualquer tipo de envolvimento no caso.

 

Armas venenosas

A morte do ex-espião soviético Alexander Litvinenko não foi o primeiro caso envolvendo suspeita de envenenamento. Outros casos célebres na história recente:

• Viktor Yushchenko, presidente da Ucrânia, conseguiu sobreviver a uma contaminação com dioxina durante a campanha eleitoral de 2004.

• Muitos dissidentes iraquianos foram envenenados com tálio durante o regime de Saddam Hussein (1979-2003).

• Georgi Markov, exilado búlgaro, morreu em Londres, em 1978, depois de ser atingido por um dardo com ricina.

• Félix-Roland Moumié, líder marxista camaronês, foi morto com tálio em Genebra, na Suíça, em 1960.

• Nikolai Khokhlov, agente da KGB, sobreviveu a uma tentativa de envenenamento com tálio em Frankfurt, na Alemanha, em 1957.