Eucalipto: Os 100 anos da árvore no Brasil

Eucalipto: Os 100 anos da árvore no Brasil

Camila Carvas Publicado em 01/10/2005, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Há um século, o engenheiro agrônomo Edmundo Navarro de Andrade voltava da Austrália com um pequeno tesouro em suas malas. Não, não eram milhares de dólares: eram sementes de eucalipto. Sua missão ao cruzar os oceanos Atlântico e Índico era descobrir uma árvore que fornecesse carvão para as locomotivas e madeira para os dormentes das ferrovias. Contratado pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, ele acabou trazendo ao Brasil uma espécie que hoje é o pilar de sustentação da indústria de papel e celulose, da qual o País ocupa a 8ª posição no ranking mundial.

Além de servir para a ampliação das estradas férreas – que cresciam conforme a lavoura cafeeira de São Paulo progredia –, o eucalipto foi utilizado a partir de 1905 também para reflorestar a mata nativa, desmatada por culturas de cana-de-açúcar desde o século 16.

Hoje, o reflorestamento com eucalipto é uma das atividades econômicas mais importantes a longo prazo. Enquanto ele leva sete anos para sofrer o primeiro corte, o pinheiro, por exemplo, demora 25. Segundo Boris Tabacof, presidente do Comitê de Papel e Produtos de Madeira da Organização das Nações Unidas, o Brasil tem 4,5 milhões de hectares plantados – um terço destinado à indústria de papel e celulose. Com a crise de madeira e de energia, a árvore também tornou-se alternativa para combustível e matéria-prima para a construção civil. E, ufa!, é usada ainda na produção de tecidos, perfumes e remédios.