expectativa de vida: Xô, morte!

Nos últimos 100 anos, a expectativa de vida da humanidade aumentou 145%

Paulo Cunha Publicado em 01/03/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

No auge de sua glória, o Império Romano era um lugar onde as pessoas morriam aos 30 anos, em média. Na França do século 5 d.C., a expectativa de vida continuava desse jeito, e nada menos que 45% das crianças morriam durante o parto. No Rio de Janeiro, em 1850, epidemias se espalhavam com uma velocidade assustadora. Tudo isso mudou radicalmente a partir do século 20, quando a expectativa de vida cresceu sem paralelo nos 5 mil anos de história do homem moderno – só nos últimos 100 anos, esse índice cresceu 145%. Hoje, um brasileiro já vive, em média, mais de 70 anos.

Em 1900, as pessoas da Europa desenvolvida morriam com 45 anos. Hoje, a média já chega a 80 anos em vários países. E esse crescimento continua. Segundo dados mais recentes da ONU (Organização das Nações Unidas), uma pessoa que nasceu em 1950 tinha, em média, 46,5 anos de vida pela frente. Um neto nascido em 2000 deverá viver 65 anos. O neto do neto, que venha ao mundo em 2050, vai morrer aos 75,1 anos.

Os pesquisadores apontam duas causas principais para esse fenômeno. Em primeiro lugar, as condições alimentares e sanitárias melhoraram muito, o que diminuiu o alcance das epidemias. Desde a Pré-História o homem toma banho, mas a falta de saneamento e de hábitos de higiene continuou fazendo estragos – no século 14, a peste negra, transmitida por ratos, matou um terço dos europeus. Sabonete, por exemplo, só deixou de ser coisa de rico em 1791, quando o químico francês Nicholas Leblanc descobriu um método eficiente e barato para fabricar sabão.

Avanços da Medicina

Além disso, a medicina avançou tremendamente nas últimas décadas, inclusive no cuidado com a higiene. Por exemplo: em 1848, o médico húngaro Ignez Semmelweis percebeu que o ato de lavar as mãos em uma solução de cloro antes de fazer um parto já era suficiente para reduzir a mortalidade materna. Pois a pesquisa do doutor Semmelweis não foi bem aceita, e ele acabou morrendo sem que sua sugestão fosse levada a sério. Foi preciso que o francês Louis Pasteur (1822-1895) comprovasse que os germes podem causar inúmeras doenças para que a higiene na medicina fosse mais valorizada – e olha que isso só aconteceu há 150 anos.

Desde então, a ciência não se cansa de impulsionar a longevidade. Na década de 50, os pesquisadores descobriram os radicais livres, moléculas que provocam o envelhecimento das células. No ano passado, cientistas de San Diego, nos Estados Unidos, identificaram um gene ligado ao envelhecimento. É o PHA-4, que reduz a capacidade da insulina de promover o ingresso de glicose nas células. Menos glicose significa mais tempo de vida, diz o estudo. É um possível caminho para uma vida ainda mais longa.

 

Validade ampliada

Antes de 1900, era comum morrer aos 30

Até o ano 500

O homem de Neanderthal, que habitou a Terra há 350 mil anos, não vivia mais do que três décadas. A expectativa média de vida das civilizações grega e romana era bem parecida.

De 500 a 1500

Como as condições de alimentação e higiene eram precárias, as epidemias se multiplicavam com muita facilidade. Em geral, as pessoas continuaram morrendo com 30 anos.

De 1500 a 1900

Só nesse momento a situação começou a melhorar. Em 1855, a expectativa média de vida na Alemanha era de 37,2 anos.

1900 até hoje

O salto é inegável, mas ainda desigual. Em Andorra, pequeno país europeu localizado nos Pirineus, as pessoas vivem em média 83,5 anos. Em Botsuana, na África, o índice é de apenas 30,9 anos.

2055

A expectativa de vida vai continuar crescendo. O problema é que países mais idosos vão ter problemas com a Previdência. Hoje, no Japão, três pessoas trabalham para cada aposentado. Em 2055, a proporção será de um para um.

 

Brasil idoso

Hoje vivemos 17 anos a mais que na década de 60

Não faz tanto tempo assim, o Rio de Janeiro era uma cidade em que um terço dos habitantes contraía febre amarela num único verão – isso aconteceu em 1850, quando mais de 10 000 pessoas morreram. Nos primeiros cinco meses de 1904, nada menos que 1800 pessoas foram internadas com varíola. Até um pouco antes, no século 18, a maioria das casas era de chão batido, com poucas janelas para expulsar a fumaça das velas de sebo que iluminavam os ambientes. No decorrer do século 20, a expectativa de vida dos brasileiros começou a crescer, acompanhando a tendência mundial.

O mais recente estudo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgado em dezembro de 2007, indica que o brasileiro vive, em média, 72,3 anos. Em 2005, a expectativa de vida era um pouco menor: 71,9 anos. Em 2000, era de 70,5 anos e, em 1980, 62,6 anos. Quanto mais se volta no tempo, mais visível é essa mudança. Em 1960, a expectativa de vida no país era de 54,6 anos. Isso significa que, nas últimas quatro décadas, as mulheres ganharam 20 anos e 34 dias de vida. E hoje os homens já vivem 15 anos, 10 meses e 14 dias a mais do que no começo da década de 60.

Em compensação, o IBGE prevê que só em 2030 o Brasil deverá superar a barreira dos 80 anos de expectativa de vida. E ainda temos que superar as grandes diferenças entre as regiões. O Distrito Federal tem o índice mais alto no país: 75,1 anos. Já o menor está em Alagoas, com apenas 66,4 anos.