O Farol de Alexandria

A última das maravilhas a ser construída ajudava a evitar naufrágios

Maria Carolina Cristianini Publicado em 01/02/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
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Até 280 a.C., chegar pelo mar a Alexandria, no Egito, era uma aventura. Os rochedos ao longo da costa causavam muitos acidentes. Os riscos diminuíram quando o rei Ptolomeu II inaugurou o Farol de Alexandria. Projetado pelo arquiteto grego Sostratus de Cnidus, o farol sinalizava a entrada e os perigos do porto da cidade, na ilha de Pharos (atual península de Ras-El-Tin). O fogo que iluminava seu topo podia ser visto a cerca de 50 quilômetros de distância.

Segundo o historiador Julio Gralha, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a obra é provavelmente a primeira do gênero – a palavra “farol” tem origem no nome da ilha em que ficava. No século 14, um terremoto destruiu a estrutura, que tinha entre 117 e 134 metros de altura. Com suas pedras, um forte foi construído por volta de 1480. Ele está até hoje no local em que uma das Sete Maravilhas do mundo existiu.

 

Luz para as embarcações

A construção levou cerca de 20 anos para ficar pronta

Luz refletida

A última parte da construção, em formato cilíndrico, abrigava a tocha e era divida em duas: uma onde os homens trabalhavam para manter o fogo e outra por onde a luz era avistada. Acredita-se que perto da fornalha existisse uma placa de bronze que, bem polida, simulava um espelho e ajudava a refletir a luz das chamas durante a noite.

Formas geométricas

O arquiteto Sostratus de Cnidus concebeu o prédio em formatos diferentes. Na parte mais baixa, havia uma base quadrada. Depois, vinham três torres. A primeira era retangular. A do meio, octogonal. A última era cilíndrica.

Pedra sobre pedra

O Farol de Alexandria era provavelmente feito de um tipo de granito de cor clara, revestido de mármore e calcário. Os blocos foram unidos com chumbo derretido e com um tipo de cimento conhecido pelos egípcios, feito à base de resina e calcário.

Abrigo para todos

Ao redor da base ficavam a administração, locais para guardar o combustível para o fogo, estábulos dos cerca de 300 animais (como bois) que carregavam o combustível, dormitórios e refeitórios dos trabalhadores e soldados, que faziam a proteção do local.

Força nos braços

Os animais subiam até o começo da parte octogonal. De lá, o combustível subia por um sistema de roldanas para o local da fornalha. Nas primeiras torres, janelas ajudavam na circulação de ar, para que o fogo queimasse com mais facilidade.

Caminho longo

Da base quadrada, os animais levavam o combustível que alimentava o fogo e subiam por rampas. O combustível era provavelmente madeira, mas há também a possibilidade de que fosse usado esterco animal seco ou óleo.

Trabalhar é preciso

É provável que, entre administradores, soldados e aqueles que mantinham o farol em atividade, mais de 100 pessoas trabalhassem em sistema de turnos. Elas eram contratadas pelo governo de maneira obrigatória – mas recebiam salários.