Foto aérea sem avião

Ninguém precisava de máquinas voadoras para conhecer o mundo por cima

Fabio Marton Publicado em 07/10/2016, às 11h50 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

As aves fotógrafas
As aves fotógrafas - divulg.
A imagem acima é de 1908, quando a aviação estava em sua primeira infância e aparelhos ganhavam prêmios por voos de 1 quilômetro – e os pioneiros voavam sozinhos, sem poder soltar os controles para tirar uma foto. A foto foi batida a dezenas de quilômetros do ponto de decolagem. 
Quem seria, então, seu autor? Um pombo. Trata-se da invenção do farmacêutico alemão Julius Neubronner: uma câmera de 75 gramas que disparava com um temporizador, presa por um colete à ave. Ele teve a ideia cinco anos antes, ao usar pombos-correio para entregar remédios em um sanatório próximo. Ela se tornou possível graças à câmera em miniatura Ticka, de 1904, que tinha o tamanho de um relógio de pulso. 
Neubronner faria sucesso em três exposições mundiais e dois shows aéreos em Paris, mas seu invento, a “GoPro” da Belle Èpoque, entraria para a História como mera curiosidade. Seus pombos seriam testados como método de espionagem na Grande Guerra, mas então os aviões já eram avançados o bastante para que tirassem suas próprias fotos em locais específicos. 
Outra razão para não ter ido longe: as fotos aéreas já existiam havia 60 anos. Em 1858, o fotógrafo Nadar havia subido num balão e capturado Paris de cima. Infelizmente, suas fotos se perderam. A foto aérea mais antiga a sobreviver é de dois anos depois, com Wallace Black e Samuel Archer King fotografando Boston a 630 metros de altura. Seu título: Boston, Como a Águia e o Ganso Selvagem Enxergam. O farmacêutico alemão seria o primeiro a empregar essa frase literalmente, com a foto do que os pombos viam.