Fraude arqueológica: Vai uma reliquiazinha aí?

Existe uma verdadeira indústria de artefatos arqueológicos forjados em Israel

01/12/2007 00h00 Publicado em 01/12/2007, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Você se lembra do ossuário de Tiago? A suposta relíquia arqueológica foi uma das descobertas mais comentadas da arqueologia bíblica no começo do século 21. Na caixa de pedra calcária, mostrada ao mundo em 2002, havia a inscrição “Tiago, filho de José, irmão de Jesus” em aramaico. O artefato teria abrigado os ossos de Tiago, chefe da Igreja de Jerusalém, e seria uma das primeiras provas arqueológicas da existência de Jesus. Mas análises químicas provaram que o ossuário era uma baita de uma fraude. Provaram mais: seu dono, o empresário israelense Oded Golan, era o gerente de uma verdadeira fábrica de antiguidades bíblicas.

Golan e seus comparsas Robert Deutsch, Schlomo Cohen e Faiz al-Amaleh foram acusados de 18 infrações, entre elas fraude, receptação de bens fraudulentos e danificação de antiguidades. Em maio de 2007 eles foram julgados culpados pela Justiça de Israel. A indústria funcionava assim: a gangue comprava no mercado negro artefatos realmente antigos. Depois, adicionava inscrições que os associassem a figurões da Bíblia, como reis de Israel ou apóstolos. As primeiras pistas de que era tudo cascata vieram das próprias inscrições. Elas eram feitas com letras de aparência estranha para o período a que se referiam. E no dialeto errado.

OSSUÁRIO DE SÃO TIAGO

O artefato seria datado do ano 70 e sugeriria que Jesus teve irmãos e irmãs. O importante é que ele seria uma prova da existência de Jesus. Só que detalhes das letras e do dialeto da inscrição eram bem suspeitos e cientistas do Serviço Geológico de Israel mostraram que a camada externa da pedra foi adicionada posteriormente e envelhecida artificialmente.

TABULETA DE JOÁS

Na placa de pedra calcária havia dados sobre a reforma do Templo de Jerusalém feita pelo rei Joás de Judá (um dos dois reinos em que a Palestina se dividiu) no século 9 a.C. O texto ecoa trechos da Bíblia, mas o alfabeto usado na inscrição é um samba do crioulo doido – tem letras de épocas diferentes.