Frick Collection

Mansão com vista para o Central Park abriga coleção respeitada

Renata Chiara Publicado em 01/07/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

Aventuras na História
Aventuras na História - Arquivo Aventuras

Uma mansão em plena 5ª Avenida, com vista para o Central Park, abriga uma galeria de arte pequena se comparada, por exemplo, ao vizinho Metropolitan Museum. Mas a qualidade, a variedade e a relevância da Frick Collection são impressionantes. A coleção é resultado de 40 anos de dedicação de um grande mecenas, o industrial Henry Clay Frick (1849-1919). Em 1910, Frick comprou um terreno para construir uma casa capaz de abrigar sua vasta coleção de arte. A mansão, inspirada em palacetes europeus do século 18, ficou pronta em 1914. Desde então, a coleção cresceu e, para dar conta da procura do público, a casa passou por duas ampliações, em 1931 e em 1977.

Saiba mais: www.frick.org

Rococó - 1771 a 1773

A obra de Jean-Honoré Fragonard (1732-1806) é marcada pela leveza nas cores e no traço, o que agradava à aristocracia francesa. As quatro telas de O Progresso do Amor, todas no acervo do Frick, foram feitas para a amante do rei Luís XV (1710-1774), madame Du Barry (1743-1793), que depois as rejeitou.

Peso Pesado - Por volta de 1870

Poucos nomes têm mais peso para a arte ocidental que Pierre-Auguste Renoir (1841-1919). Um dos pais da arte moderna, Renoir especializou-se em pintar mulheres e crianças em cenas cotidianas. Quando os críticos viram Mãe e Crianças pela primeira vez, disseram que era um “trabalho de lunático”. Hoje o quadro é um dos mais procurados do museu.

Carta misteriosa - 1668

O holandês Johannes Vermeer (1632-1675) pintou apenas 35 quadros e morreu endividado. Dois séculos depois, sua obra passou a ser valorizada. No quadro Senhora com a Criada, a iluminação converge para uma carta misteriosa que a jovem recebe de sua servente. Esta foi a última aquisição de Henry Frick, comprada em 1919, ano de sua morte.

Está na Bíblia - Cerca de 1600

Apesar de ter nascido na Grécia, Doménicos Theotokópoulos, o El Greco (1541-1614), é um dos nomes mais importantes da arte renascentista da Espanha, onde viveu grande parte da vida. Sua assinatura são quadros de temática religiosa, com tons dramáticos. A Purificação do Templo retrata a cena bíblica em que Jesus expulsa comerciantes do templo de Jerusalém.

Sala dos Sonhos - Várias épocas

Quando construiu a mansão, Henry Frick já queria fazer dela um museu e dedicou uma sala enorme para seus quadros. Por ordens dele, a “Galeria de Retratos” não deveria ter móveis. “Será um sonho”, ele disse. O espaço abriga obras de mestres como Rembrandt van Rijn (1606-1669), Francisco de Goya (1746-1828) e Diego Velázquez (1599-1660).

Para Maria Antonieta - Por volta de 1780

Jean-Henri Riesener (1734-1806) criou esta cômoda de madeira para a rainha Maria Antonieta (1755-1793). Em 1792, quando o Palácio das Tulherias foi invadido pelos revolucionários, a tampa de mármore se partiu. Frick adquiriu o móvel já restaurado.

Barulhinho bom - 1914

O teto do jardim da mansão ficou aberto até os anos 30. Protegido desde então por uma cobertura de vidro, é o ambiente mais relaxante da casa. O barulhinho do chafariz atrai visitantes que podem descansar nos bancos de mármore. Ao lado fica a sala de música, que recebe concertos.

Magnata - 1943

Apaixonado por artes, Henry Clay Frick também virou tema de quadro. O dinamarquês John Johansen pintou esta homenagem póstuma ao colecionador. A pintura foi doada à coleção pela herdeira de Henry, Helen C. Frick (1888-1984), e tem lugar de destaque na biblioteca da mansão, que também abriga livros raros.

Favorito do rei - 1636

Com 20 anos, Anthony van Dyck (1599-1641) caiu nas graças da nobreza inglesa. Ele pintou mais de 40 quadros do rei Carlos I da Inglaterra (1600-1649) e outros 30 da rainha Henrietta Maria (1609-1669). A Condessa de Clanbrassil é um dos vários retratos de Van Dyck que fazem parte da Frick Collection.

Momento sombrio - 1815 a 1820

Henry Frick gostava de pinturas alegres, mas não resistiu ao quadro The Forge, da fase negra do espanhol Francisco de Goya. O quadro mostra dois ferreiros trabalhando junto a um velho decrépito, figura recorrente na obra de Goya, que tinha uma obsessão pela passagem do tempo.