Harry Houdini: Iludido pelo amor

Obcecado por espíritos, o mágico Harry Houdini se envolve com uma falsa médium

Tiago Cordeiro Publicado em 01/04/2008, às 00h00 - Atualizado em 23/10/2017, às 16h36

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Além de mágico famoso, Harry Houdini (1874-1926) era um obcecado pela existência após a morte. Nos últimos anos de sua vida, ele se dedicou a perseguir as pessoas que se declarassem capazes de contactar espíritos. Usando seus conhecimentos de ilusionismo, ele desmascarou várias delas. Com isso, comprou brigas feias com defensores do espiritismo, como Arthur Conan Doyle, o criador de Sherlock Holmes. Esse interesse pela vida após a morte começou em 1920, quando a mãe do mágico, Cecília Steiner, morreu. Ele nunca se perdoou por não estar presente para ouvir suas últimas palavras, e começou então a pesquisar o assunto. Esse é o pano de fundo do filme Atos que Desafiam a Morte.

A história se passa em 1926, ano da morte do mágico. Guy Pearce interpreta Houdini. Ele está em turnê pela Escócia, onde lança um desafio: quem fosse capaz de contactar a alma de sua mãe ganharia 10 mil dólares. Catherine Zeta-Jones é Mary McGarvie, uma falsa médium disposta a abocanhar a recompensa. Ela acaba se tornando amante de Houdini (que, na vida real, foi casado com Beatrice Rahner desde 1893 até a morte). Com o passar do filme, percebe-se que Mary tem outras razões para se envolver com o ilusionista.

Não é de impressionar que o mágico se visse cercado por belas mulheres. A partir de 1899, ele era o maior especialista do mundo em escapar de qualquer desafio, por mais inacreditável que fosse. Conseguia soltar-se de qualquer tipo de algema e era capaz de fugir de tanques cheios de água em que era mergulhado amarrado e de cabeça para baixo – isso sem falar no dia em que fez um elefante desaparecer aos olhos da platéia. No auge da fama, durante a década de 10 do século passado, foi o ilusionista mais bem pago do planeta.

Houdini morreu em Detroit, vítima de uma apendicite que insistiu em não tratar. Dias antes, havia deixado com sua esposa uma mensagem em código, que misturava dez palavras de uma carta que ele recebera de Conan Doyle. Se alguém dissesse a ela que havia se comunicado com a alma do mágico, teria que citar a carta. Beatrice morreu em 1943, dizendo que nunca havia sido contactada pelo marido morto.

Atos que Desafiam a Morte

Diretora: Gillian Armstrong