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Georgi Zhukov: o homem que liderou as batalhas mais importantes da URSS na Segunda Guerra

Zhukov liderou os soviéticos contra os invasores alemães no conflito e ajudou a virar o jogo para os Aliados

Beto Gomes Publicado em 02/09/2020, às 00h00

Imagem de Georgi Zhukov
Imagem de Georgi Zhukov - Wikimedia Commons

Ele comandou as batalhas mais importantes da União Soviética na Segunda Guerra Mundial. Num período em que o país agonizava nas mãos dos alemães, dividiu seu tempo entre o gabinete de Stalin e as frentes de batalha mais violentas do conflito.

Das noites que atravessou sem dormir nem comer, debruçado sobre mapas e maquetes de cidades, saíram algumas das estratégias que definiram o rumo da guerra e da própria história da URSS. Àquela altura, a experiência no campo de batalha vinha de longa data.

Ele já havia lutado com as tropas imperiais czaristas durante a Primeira Guerra, combatido ao lado dos bolcheviques na Guerra Civil Russa e, acredita-se, estivera também na Guerra Civil Espanhola, quando os soviéticos testaram (e atestaram) a eficiência de seus blindados.

Esse histórico improvável para o filho de um sapateiro com uma campesina, nascido em um vilarejo pobre não muito longe de Moscou, pertence a Georgi Konstantin Zhukov, o homem que conseguiu virar o jogo contra o poderoso exército de Adolf Hitler e afugentou os alemães até Berlim, desferindo na capital do Reich seu último golpe. Sua biografia, no entanto, é repleta de altos e baixos.

Colecionador de guerras

O homem que impediu a queda de Leningrado e Moscou, que defendeu e atacou Kursk e Stalingrado, que entrou cheio de glórias e medalhas em Berlim, também foi banido duas vezes das mais altas instâncias da hierarquia soviética. Primeiro por Stalin. Depois por Nikita Kruschev, de quem foi ministro da Defesa em plena Guerra Fria.

O ditador soviético Josef Stalin / Crédito: Wikimedia Commons

 

Na verdade, Zhukov chegou muito mais longe do que ele mesmo podia imaginar. Político habilidoso, foi um dos primeiros militares a conjugar a vida na caserna com os mais altos cargos do Partido Comunista. Como nenhum outro comandante em seu tempo, contrariou Stalin diversas vezes durante as reuniões estratégicas da Stavka – o órgão que reunia um seleto grupo de líderes para decidir o rumo das ações soviéticas durante a Segunda Guerra.

Disciplina e persistência

Senhor de uma visão inigualável do campo de batalha, era um disciplinador inflexível. Certa vez, após a queda de Berlim, condecorou um coronel que se destacara por seus feitos no campo de batalha – mas puniu-o em seguida com quatro dias de reclusão por trocar a farda por uma jaqueta de couro durante a cerimônia.

A persistência era outra característica marcante. De estatura mediana, não fosse ela (a persistência), dificilmente seria aceito como cavalariano na Primeira Guerra, para lutar nas tropas do czar Nicolau II.

Desde o início, a vida militar de Zhukov não foi fácil. Em 1916, um ano após seu alistamento, ele foi lançado de seu cavalo pela explosão de uma mina. Ferido e afastado do front, perdeu parte da audição, mas ganhou suas primeiras condecorações – duas Cruzes de São Jorge, por “heroísmo em combate”.

O desempenho no campo de batalha credenciou-o também a ocupar uma das cadeiras da escola de treinamento para oficiais. O primeiro passo no longo caminho em direção ao alto-comando do Exército russo estava dado.

Ascensão na carreira

As dificuldades que a Rússia enfrentou na Primeira Guerra criaram o ambiente perfeito para o movimento revolucionário, e muitas divisões, entre elas a de Zhukov, acabaram se sublevando em favor dos socialistas. Agora, era hora de lutar com os bolcheviques e alistar-se no embrião do futuro Exército Vermelho.

Zhukov / Crédito: Wikimedia Commons

 

Não demorou muito para Zhukov mostrar seu valor. Nos anos 30, os soviéticos incorporaram as primeiras unidades blindadas ao Exército. Criaram também um regimento mecanizado experimental, que logo se tornou brigada e despertou interesse especial de Zhukov.

Assim como o então chefe do Estado-Maior do Exército, Boris Shaposhnikov, ele estava convencido de que os blindados deveriam ter um papel independente no moderno campo de batalha, em vez de serem empregados dispersos nas unidades de infantaria.

A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) serviu como um verdadeiro laboratório para a nova doutrina militar (incluindo o uso de seus tanques recém-fabricados). Embora a participação de Zhukov naquele conflito não tenha sido comprovada, é certo que ele tirou várias lições das lutas travadas nas terras de Franco.

Lições que aplicaria em 1939, nas distantes planícies da Mongólia, onde aniquilou os invasores e comprovou a eficiência dos blindados como unidades independentes.

De volta à URSS, coberto pelas glórias da vitória, Zhukov não teve muito tempo para comemorar. Àquela altura, os alemães já representavam uma ameaça real a qualquer nação europeia, e os serviços do comandante seriam indispensáveis para as pretensões de Stalin. A única pessoa que ainda não sabia disso era o próprio ditador.


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